Notícias

08/01/2021 - Milho

2021 pode começar acelerado para mercado mato-grossense


A suspensão temporária das exportações de milho pelo governo argentino pode aquecer o mercado mato-grossense neste início de ano. O Estado é o maior produtor do cereal no País e na safra 2019/20 registrou novo recorde de produção, com 35,45 milhões de toneladas (t), 2,38% a mais que o saldo anterior.

Ao mercado, o Estado tem pouco a oferecer da safra 2019/20, já que 97,90% da produção estão comercializadas. No entanto, a medida argentina pode impulsionar as vendas da safrinha 2020/21 no Brasil e em Mato Grosso. Da estimativa – de novo recorde – de 36,29 milhões t, quase 63% estavam negociadas até dezembro do ano passado, havendo um espaço para novas vendas.

Além da possibilidade de negócios à saca, a proibição no país vizinho, mesmo que com data para início e fim, deve ainda impactar positivamente sobre as cotações do cereal. Comparando médias de preços de 2020 ante 2019, há uma elevação de 85%, que pode ser potencializada, caso a disputa pelo milho se confirme. Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em 2019 a saca fechou o ano com média de R$ 23,29 e no ano passado, registrou R$ 43,11, quase que o dobro do período analisado.

Em Mato Grosso o plantio da safrinha de milho tem início em meados desse mês na medida em que a soja vai sendo colhida e segue até o final de fevereiro, quando se fecha a ‘janela ideial’ de cultivo. Qualquer semeadura após essa data corre o risco de perder umidade, pela escassez das chuvas, e assim, ter seu potencial produtivo comprometido.

O Ministério da Agricultura da Argentina anunciou, no último dia 30, a “suspensão temporária” das exportações de milho da safra 2019/2020 até o dia “1º de março de 2021”. Nesse período é quando a safra nova começa a ser colhida no país e a temporada 2020/2021 deste grão começa oficialmente, observa a Consultoria TF Agroeconômica.

A desculpa do governo Alberto Fernandez é que essas medidas estão sendo tomadas para “garantir o fornecimento doméstico” do grão durante os meses de janeiro e fevereiro, quando a oferta é sazonalmente escassa. “Alguns analistas, no entanto, estão se perguntando se este é um passo antes de um possível aumento do imposto de exportação”, questionam os especialistas de mercado da TF.

“À luz disso, é quase difícil digerir as notícias e avaliar o potencial efeito da medida. A Argentina deverá produzir cerca de 49 milhões de toneladas na safra 2020/21 e é o terceiro maior produtor e exportador de milho no mundo, atrás, respectivamente dos Estados Unidos (368,49 milhões de toneladas) e do Brasil (110 milhões de toneladas), segundo projeções de dezembro do relatório de Oferta e Demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA)”, aponta a equipe de analistas de mercado da Consultoria. Ainda, segundo o mesmo relatório do USDA, a exportação de milho da safra 2019/20 da Argentina deveria se situar em 34 milhões de toneladas. No entanto, de acordo com o Ministério da Agricultura local, tinham sido embarcados até dezembro 36,02 milhões de toneladas, como mostram o relatório oficial. Os embarques de milho-pipoca, por outro lado, estão isentos da proibição de embarque.

Em Mato Grosso, o ano de 2020 fechou com um volume de 18,55 milhões t exportadas, embarques que geraram mais de US$ 3 bilhões em receita. Apesar do número significativo, esse quantum físico ficou bem abaixo das mais de 24,89 milhões t movimentadas em 2019. Ainda assim, o saldo internacional do ano passado foi o segundo maior da série estadual tanto em faturamento quanto em volume, segundo acompanhamento do Imea.

PERSPECTIVAS - O ano de 2021 tem tudo para ser extremamente lucrativo para os agricultores, assim como foi 2020, revela a Consultoria TF Agroeconômica. “Diríamos que até um pouco mais, porque vendeu volumes maiores a preços elevados. Nossas recomendações são de não correr atrás de preço, e sim buscar lucratividade. Além disso, divida o seu volume produzido em, pelo menos, cinco lotes e vá fixando à medida que seu lucro pretendido for atingido. E não se arrependa, porque quem tem lucro constante, jamais terá prejuízo, ao contrário daquele que perseguem grandes lucros e que podem ter grandes prejuízos (alguns até perdem a fazenda)”, recomendam os analistas de mercado.

Para os analistas do Imea, as expectativas da manutenção dos preços em alto patamar trazem otimismo ao preparo do novo ciclo e podem levar os produtores a aumentarem as áreas de cultivo em Mato Grosso, sobretudo, as áreas de algodão que podem ser convertidas para o milho.

Segundo o último relatório de safra divulgado pelo Imea, a próxima temporada pode crescer 5,03% na área. “A demanda poderá continuar firme tendo em vista o aumento da capacidade de produção pelas usinas de etanol já operantes e a entrada de novas no mercado, refletindo no consumo interno forte. Além disso, o setor animal gera expectativas positivas com as exportações em alta, o que também poderá beneficiar a maior demanda pelo grão e/ou subprodutos do cereal para ração animal. No que se refere aos custos de produção, a próxima safra apresenta as despesas com fertilizantes e corretivos de solo mais elevadas, mesmo assim, o ponto de equilíbrio do produtor fica em R$ 22,50/sc, valor inferior às negociações realizadas dentro do Estado”.

Em virtude das incertezas das áreas que poderão ser semeadas fora da janela – consequência do atraso no plantio da soja - as atenções se voltam para as condições climáticas no cultivo da 2° safra que poderão ser determinantes para que o produtor consiga maximizar os ganhos em produtividade até a etapa da colheita.

Fonte: Diário de Cuiabá - http://tempuri.org/tempuri.html




Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.