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26/05/2021 - Pecuária

5 dicas para reduzir o desperdício e economizar milho na produção animal


A forte alta no preço do milho e da soja, que pressiona os custos de produção da carne no país, também foi acompanhada pelos grãos que outrora eram utilizados para baratear a alimentação animal.

Em Mato Grosso, por exemplo, o sorgo, que era negociado na casa dos R$ 22 no ano passado, atingiu o preço médio de R$ 50,88 em abril, segundo levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) – valorização de mais de 230%. No mesmo período, o milho aumentou 100% e a soja, 60%.

“Não há milagre. Nós não temos hoje nada que possa substituir o milho em quantidade e em preço. E também não temos algo que possa substituir o farelo de soja. Então, o negócio é ser mais eficiente”, explica o pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, Everton Luís Krabbe.

Com as grandes e médias indústrias reduzindo o peso e a quantidade de animais abatidos para fazer frente à crise que atinge o setor, ele lembra que os pequenos produtores precisam fazer uma análise criteriosa da sua produção afim de reduzir o desperdício e aumentar o aproveitamento desses insumos. 

“A recomendação seria conduzir a sua atividade na ponta do lápis. Menos amor e mais contabilidade nesse negócio”, resume o pesquisador. Para ajudar o produtor neste momento difícil, a Revista Globo Rural separou cinco medidas simples que podem ajudar a reduzir os custos com a alimentação animal.

1 - Processamento dos grãos
A primeira medida a ser tomada para aumentar o aproveitamento de cada quilo de ração, segundo o pesquisador da Embrapa, é buscar aumentar a conversão alimentar dos animais.

“A digestibilidade dos nutrientes nunca é de 100%. Ela pode ser, dependendo do nutriente, de 60% a 80%, mas nunca 100%. Portanto, há sempre uma pequena margem que não é aproveitada”, explica Krabbe ao mencionar duas medidas importantes para otimizar esse processo: o uso de enzimas e o processamento dos grãos.

“As aves precisam de alimentos grossos partículas grandes. Se você quiser prejudicar o aproveitamento dos nutrientes de um milho ou da soja nas aves, basta que você moa esse material finamente”, observa o pesquisador ao ressaltar que, para suínos e bovinos, a lógica é a oposta.

"Talvez o melhor investimento que um produtor de suínos pode estar fazendo neste momento é avaliar a sua qualidade de moagem na sua fábrica de rações. Ele precisa moer ingredientes num tamanho de partícula compatível com o que um suíno precisa", diz Everton Luís Krabbe, pesquisador da Embrapa Aves e Suínos

A moagem adequada dos grãos pode representar uma economia de até 30 quilos de ração por animal, podendo fazer a diferença entre o prejuízo e o lucro da operação.

“Se pensarmos que um quilo de ração hoje está na faixa de R$ 2,20 a R$ 2,50, se for economizado 25 kg de ração por suíno, isso representará R$ 50 por anima. No universo da suinocultura, isso é muito dinheiro”, destaca o pesquisador da Embrapa.

2 - Tecnologia nutricional
No caso das enzimas, Krabbe ressalta que existem pelo menos cinco tecnologias disponíveis hoje no mercado e que permitem melhorar o aproveitamento da ração. “Cada uma  delas vai ter um custo e um benefício, mas se você somar todos os custos contra todos os benefícios você vai ver que elas são extremamente favoráveis do ponto de vista de redução de custo de alimentação”, observa o pesquisador.

De acordo com Rafael Sens, gerente regional de serviços técnicos para enzimas do negócio de Nutrição e Saúde Animal da DSM na América Latina, a economia pode chegar a até US$ 5 por tonelada de ração.

"Não há como tirar milho da ração, a não ser que você tenha um substituto como sorgo, milheto ou trigo, Mas não existe grande abundância desses grãos no Brasil. Por isso, o segredo é melhorar a qualidade do milho, tirar mais dele", diz Rafael Sens, gerente regional de serviços técnicos para enzimas do negócio de Nutrição e Saúde Animal da DSM na América Latina

O uso desses produtos, contudo, exige conhecimento técnico. Embora sejam seguros para os animais, a dosagem errada pode gerar desperdício e comprometer o retorno financeiro.

“Existem doses de enzimas para as formulações específicas de ração. Se eu não fizer esse ajuste fino. tudo que ela pode proporcionar de economia acaba sendo perdido porque não tenho conhecimento técnico do que ela pode me proporcionar”, observa Krabbe ao destacar que essas características fazem com que essa tecnologia acabe se concentrando nas mãos de grandes empresas.

“Às vezes, o produtor pequeno é muito empírico, ele não faz esses ajustes técnicos e aí não consegue extrair o valor disso. Com isso, o que poderia resultar numa economia de R$ 50 a R$ 70 por tonelada acaba resultando em praticamente zero”, lamenta o pesquisador.

3 - Desperdício zero
Com a saca milho custando mais de R$ 100, qualquer pequena perda nas granjas pode representar prejuízos significativos na propriedade. Krabbe explica que alguns ajustes básicos na estrutura das granjas podem ajudar a reduzir o desperdício desses insumos.

“É muito comum que você vá nas granjas e encontre, por exemplo, acúmulo de alimento no comedouro. Com isso, o animal acaba jogando muito alimento pra fora e, uma vez no chão, ele normalmente é perdido. Então, tem pequenas coisas que fazem grande diferença” pontua o pesquisador da Embrapa.

No caso de aves, a recomendação é que o produtor coloque a ração somente até metade da altura do prato. Para suínos, além da quantidade de alimento, é preciso umedecer a ração ou dar condições para que os animais o façam deixando a água próxima do comedouro.

“O suíno não consegue comer o alimento seco sem beber água e se ele ficar transitando entre comedouro e bebedouro ele acaba desperdiçando um monte de alimento”, explica o pesquisador ao revelar que, entre as grandes indústrias, a prática mais comum é instalar o bebedouro dentro do comedouro. “Assim, o animal acaba encontrando ele mesmo a melhor combinação de água e alimento para ele”.

4 - De olho na sanidade
Em termos de eficiência alimentar, a sanidade e o bem-estar são considerados estratégicos pois, uma vez doentes ou feridos, o organismo dos animais tende a direcionar os nutrientes para fortalecer o sistema imune ou reconstruir a musculatura de alguma lesão, por exemplo.

“O problema de saúde hoje é muito mais impactante do ponto de vista de custo do que era há um ano porque o quilo do alimento concentrado dobrou de preço”, lembra o pesquisador da Embrapa ao alertar para a importância de manter um bom programa de sanidade animal mesmo que, para mantê-lo, seja preciso reduzir o rebanho.

“Se um produtor tem 500 suínos e está com dificuldade financeira, é melhor ele ter 300 e cuidar bem do que continuar com 500 e não cuidar bem. Ele vai ter mais perda com 500 malcuidados do que com 300 bem cuidados porque nem sempre quantidade se reflete em lucratividade”, resume Krabbe.

5 - Reduzir o ritmo
Uma vez adotadas todas essas medidas, caso a atividade ainda não esteja dando retorno, Krabbe afirma que é o momento de avaliar a redução do ritmo de engorda e do peso de abate dos animais – medidas que hoje têm sido adotadas pela indústria.

No caso da velocidade da engorda, o pesquisador explica que o produtor pode fazer a redução da densidade nutricional da ração substituindo o milho e a soja por ingredientes mais em conta como derivados de algodão, citros ou arroz.

“Isso vai baixar o custo por quilo de alimento mas, por outro lado, também vai fazer com que o animal cresça um pouco menos. Por isso, tem que ser feito de maneira bem ajustada porque às vezes você pode  ter redução do custo do alimento mas não necessariamente do custo do quilo vivo do animal produzido”, alerta o especialista.

Segundo ele, reduzir a densidade nutricional na faixa de 5% a 10% pode baratear a ração na faixa de 20%. “Às vezes, o animal come 10% a mais e essa diferença entre uma redução de 20% no custo com ração e aumento de 10% no consumo pode representar uma economia”, explica.

No caso do abate antecipado, Krabbe explica que os animais mais jovens costumam ter uma eficiência alimentar de 15% a 20% maior do que aqueles que estão nas fases finais de terminação.

“Com isso, animais mais novos e mais leves conseguem ter um ganho de peso por quilo alimento ingerido mais interessante, mas ficam cada dia mais caros para serem produzido”, explica o pesquisador. Segundo ele, a redução de 16% no peso de abate dos animais pode representar até um quilo de ração por quilo de carne produzida, mas é a última saída.

"A primeira medida a ser tomada é tentar que baratear o custo do seu alimento. Se isso não for suficiente para viabilizar sua produção, você tem que ter uma estratégia mais radical como, por exemplo, abater esses animais com menos peso ou diminuir o número de animais que você está produzindo", diz Everton Luís Krabbe, pesquisador da Embrapa Aves e Suínos.

Por Cleyton Vilarino
Fonte: Globo Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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