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12/02/2021 - Soja

Abortamento de vagens, entre outros problemas, leva Conab a reduzir produtividade no PR


As chuvas que demoraram a chegar no início da temporada 2020/21 de soja do Brasil chegaram de forma mais intensa e até mesmo excessiva em algumas áreas. No Paraná, a consequência destas condições de clima tem resultado no abortamento de vagens.

"Um grande período de dias sem incidência direta de luz solar tem sido um dos grandes problemas agronômicos dessa safra", explica Claudeir Pires, CEO da Academia da Soja, que vem visitando lavouras nas principais regiões produtoras do país. 

Nesta quinta-feira (11), a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou sua nova estimativa para a safra de grãos do Brasil, trazendo o número de 133,8 milhões de toneladas de soja. "No Paraná, a colheita iniciou e já existem muitas outras lavouras prontas, somente aguardando a trégua nas precipitações. As chuvas excessivas têm impedido a continuidade da colheita e a realização dos tratos culturais, principalmente o controle de oídio, mofo-branco e ferrugem asiática".

"O excesso de nebulosidade em janeiro causou distúrbios fisiológicos nas plantas, que voltaram a vegetar, cresceram além do normal, desenvolveram muitas folhas e abortaram muitas vagens. Esse fenômeno ocorre em várias partes do estado, em menor ou maior grau, e deve afetar a produtividade final, já corrigida para baixo, neste levantamento", informa o boletim mensal da instituição.

O rendimento médio da soja foi estimado em 60,8 sacas por hectare (3.654 kh/ha) contra 65,41 sacas (3925 kh/ha) da safra 2019/20. Assim, a safra paranaense é projetada pela Conab em 20.468,6 milhões de toneladas, contra 21.598,1 milhões da temporada anterior, uma redução de 5,2%.

Pires afirma ainda problemas dessa natureza têm sido registrados de norte a sul do país, por fatores bióticos e abióticos. "E os abióticos mais acentuados tem sido esses dias nebulosos, falta de radiação direta da luz solar e assim a planta não consegue realizar fotossíntese, não consegue translocar seiva bruta e seiva elaborada, e acaba optando por abortar algumas vagens para perpetuar sua espécie. Isso é natural, a planta é um ser muito inteligente e sempre busca perpetuar sua espécie", detalha. 

O especialista afirma que quando as situações começaram a ser registradas causaram muita preocupação até que sua causa principal fosse identificada, mobilizando diversos pesquisadores de forma a controlarem a situação. 

Ao jornalista João Batista Olivi, durante o programa Tempo & Dinheiro, o pesquisador da Embrapa Soja, André Prando, afirmou o problema de vagens sem grãos é bastante grave. "Precisamos analisar diversas variáveis, dentre elas as condições climáticas, para entender o que acontece com estas lavouras. Existem muitas hipóteses, aproximadamente 30, que devem ser analisadas com muita cautela", diz. O pesquisador afirma ainda que os casos ainda estão concentrados em regiões do Paraná e, apesar de pontuais e ainda não tendo sido contabilizado, são graves. 

Assim, o pesquisador do Supra Pesquisa e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Leandro Albrecht, detalha ainda mais as condições em que os abortamentos de vagens acontecem. 

"A soja em um ambiente encharcado, com pouca drenagem sofre com hipoxia, falta oxigênio, falta de oxigênio para a raiz, a raiz não respira direito, não cria gradiente de potencial hídrico para que haja ascensão de água e assim há seca fisiológica", explica. "E isso porque a soja não é como o arroz, que tem aerênquima, e não sofre em ambiente alagado". 

Mais do que isso, o professor afirma também que há outros fatores secundários agravantes que também estimulam os abortamentos de vagens, como a compactação de solo - já que também compromete a capacidade de drenagem -; o impedimento químico por alumínio que limita o crescimento da raiz, doenças como a antracnose, e pragas, como os percevejos. 

"Depois que começou a cair vagem não tem muito o que fazer, então devemos pensar em sistemas, quem sabe fazer um arranjo espacial melhor. Plantas menos adensadas. Plantas que competem entre si, mais perdas, mais queda de vagens. Vamos pensar mais em sistema, em agronomia de verdade"

Ainda como explica Claudeir Pires, o problema não deve causar grande impacto sobre a produção nacional de soja, reduzindo a média nacional de produtividade em função destas condições. No entanto, alerta para os prejuízos que isso traz para cada sojicultor que passa por esse momento. 

"Para cada produtor que está tendo esse tipo de problema é um problema considerável. Imagine se esse produtor conta com um lavoura de 1 mil hectares de soja, com uma perspectiva de produtividade de 70 sacas por hectare e perde 10% de sua lavoura por conta do abortamento de vagens, isso significa 7 sacas por hectare. Se multiplicarmos isso por R$ 160,00, que é o preço da soja hoje, podemos imaginar o tamanho do problema", diz. 

Todavia, Pires volta a afirmar que trata-se de um problema pontual, com variedades mais suscetíveis à essas condições. "Todo ano temos um problema e essa é a bola da vez", conclui. 

No último dia 3, o repórter Guilherme Dorigatti entrevistou o presidente da Aprosoja Paraná, Márcio Bonesi, e o engenheiro agrônomo do Sindicato Rural de Toledo/PR, Rudimar Soares, que afirmaram que as chuvas excessivas prejudicam, principalmente a soja plantada em setembro e aumentam a pressão sobre as doenças em outubro. 

A Embrapa Soja também tem visitado lavouras para entender mais a fundo e detalhadamente o que resulta ocorrências de abortamentos de vagens tão agressivos como estes da safra 2020/21. 

Por Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas - http://tempuri.org/tempuri.html




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