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09/08/2021 - Algodão

Abrapa: recuperação do preço e do consumo de algodão deve estimular maior plantio em 21/22


A recuperação do preço e do consumo mundial de algodão deve estimular o aumento da área plantada com a cultura no Brasil na safra 2021/22 ante a temporada anterior, avalia o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Cézar Busato. "Os preços da fibra voltaram a ser rentáveis para o cotonicultor com retomada do consumo mundial da pluma", disse ele, na sexta-feira (6/8), durante o evento virtual "Abertura de Safra Grãos - Soja, Milho e Algodão 2021/22" da consultoria Datagro.

Na safra 202/21, que está sendo colhida, o País semeou 1,367 milhão de hectares com algodão, queda de 18% ante o ciclo anterior. "Em junho do ano passado, o produtor reduziu a área plantada com algodão e aumentou a área com soja e milho diante da queda do preço da fibra", explicou Busato. Segundo ele, no auge da pandemia, as cotações do algodão caíram de 70 centavos de dólar por libra-peso para 48 centavos de dólar por libra-peso. "O custo de produção é de 62 centavos de dólar por libra-peso. Os preços não estavam compensando o cultivo", apontou Busato. Na avaliação de Busato, a redução da área plantada não foi ainda maior porque o produtor e exportador brasileiro necessitava manter os mercados externos conquistados, especialmente na Ásia, e cumprir com o pagamento de investimentos.

Além da melhora dos preços, outro ponto que contribui para as perspectivas positivas para incremento de área plantada é a recuperação no consumo mundial de algodão. De acordo com dados apresentados pelo presidente da Abrapa, no auge da pandemia de covid-19, o consumo mundial de algodão caiu para 22 milhões de toneladas. Este ano, a demanda global pela pluma se recuperou e é estimada em 26,3 milhões de toneladas. "No início da pandemia, os consumidores restringiram a compra de roupas. Agora, os consumidores preferem mais roupas confortáveis, como as feitas com algodão", apontou Busato. O Brasil é o quarto maior produtor de algodão do mundo.

Anea - O algodão brasileiro vem aumentando a sua participação e conquistando espaço em mercados externos importantes, como China, Indonésia e Vietnã, avalia o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Henrique Snitcovski. "O algodão do Brasil vêm ganhando espaço no exterior. Mas ainda precisamos conquistar novos mercados e fortalecer a participação em mercados importantes", disse ele, durante o evento virtual "Abertura de Safra Grãos - Soja, Milho e Algodão 2021/22" da consultoria Datagro.

De acordo com dados da Anea, hoje o algodão brasileiro responde por 30% do volume importado anualmente pela China, maior comprador de algodão do mundo. "Aumentamos a participação de 10% para 30%. Temos objetivo de aumentar a participação nas importações anuais chinesas. Podemos alcançar 50% do mercado, assim como os Estados Unidos", apontou Snitcovski. Segundo ele, na Indonésia, as compras da fibra brasileira representavam 25% e hoje estão em 40% do mercado. No Vietnã, terceiro maior importador mundial de algodão, a participação da pluma do Brasil passou de 12% para 25%. "Em Bangladesh, segundo maior mercado mundial, a participação da pluma brasileira ainda representa 15% e há muito espaço para crescer", avaliou Snitcovski.

Hoje o Brasil exporta 80% do algodão que produz anualmente, sendo o segundo maior exportador mundial da pluma e representando 25% do consumo mundial. Na safra 2019/20, o País comercializou 2,4 milhões de toneladas de algodão para o exterior. Para Snitcovski, o País tem capacidade para, além de conquistar novos mercados, ampliar a produção e elevar o volume exportado a fim de se tornar o maior exportador mundial da fibra. "Passamos de segundo maior importador do mundo nos anos 1990 para segundo maior exportador atualmente", lembrou o presidente da Anea.

Entre as vantagens competitivas da fibra brasileira no mercado internacional, ele destacou a capacidade de fornecimento ao longo de 12 meses do ano e o reconhecimento de qualidade pelos compradores externos. A possibilidade de embarcar volumes expressivos por mês também está entre os atrativos do algodão local. "Brasil já tem capacidade de embarcar 370 mil toneladas de algodão por mês", apontou.

Por Isadora Duarte
Fonte: Broadcast Agro




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