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14/09/2021 - Outros

Agronegócio precisa proteger a Amazônia para superar seu maior risco, diz economista


O economista José Roberto Mendonça de Barros disse que o maior risco para o agronegócio brasileiro é a mudança climática. Ela pode afetar a produção no Brasil e aumentar a capacidade de produção de terras ao Norte, no Canadá, por exemplo. Por isso ele acha que a proteção da floresta Amazônica é parte fundamental de defender a agricultura brasileira. José Roberto disse que está estudando casos de indústrias que deram certo, uma de 10 anos e outra de 103 anos, para mostrar que existe um caminho para a recuperação industrial que não passa por Brasília. Numa entrevista que fiz com ele na Globonews o economista fala ainda de como os erros do governo Bolsonaro prejudicam a economia. 

Miriam Leitão - Você sempre alertou para o ‘novo campo’, a agricultura de precisão. A agricultura brasileira superou todos os riscos, pela tecnologia. E agora, qual o risco neste momento para o agronegócio?

José Roberto Mendonça de Barros - O desenvolvimento tecnológico deu muita segurança ao crescimento. E ao mesmo tempo, o fato de a agricultura brasileira participar das cadeias internacionais garantiu os bons preços e, portanto, deu renda. E aí isso faz dar vontade de crescer repetidamente independentemente do que está acontecendo nas cidades, especialmente, e na indústria. Mas agora, e este ano está bastante claro de mostrar, houve problemas de secas, queimadas, três geadas em julho, nós temos um impacto razoável de questões climáticas, em uma proporção que está obviamente aumentando. Acho que já está mais do que formado e demonstrado que a agricultura brasileira tem um grande obstáculo pela frente, um enorme desafio que é proveniente do desequilíbrio climático, do aquecimento global e das transformações que isso está trazendo no clima e que todos os relatórios, especialmente os da ONU, não cansam de mostrar. Em particular para o Brasil, essas mudanças são resultado da queima desenfreada da Floresta Amazônica, da derrubada ilegal, que prejudica a formação de umidade, os rios voadores, que o Carlos Nobre, pioneiramente falou, e é verdade, muito da umidade do centro do país vem da Amazônia. Na hora que isso começa a diminuir, o risco da seca começa a aumentar. Nós estamos entrando em uma fase em que cada vez mais vai ter esse risco mesmo. E tem que entrar nessa pauta do baixo carbono, tem avançar muito mais, incluindo a questão da água, que é uma restrição severa e será cada vez maior. Não contente com isso, o mesmo processo global e climático está permitindo com que terras mais ao Norte possam vir a produzir inclusive grãos, por exemplo, no Canadá. O que derruba outro argumento arrogante de certos líderes da bancada agrícola, que é dizer que o chinês tem que comprar da gente porque não tem outro lugar. Vai ter outro lugar para oferecer, é um risco danado o que estamos correndo, tanto lá fora quanto aqui. Eu não tenho dúvida em dizer, e acho que boa parte dos executivos, dos produtores, percebem isso, mas tem um pedaço da liderança, seja na bancada agrícola, seja em algumas das associações agrícolas, tipo a Aprosoja do Mato Grosso, que insiste em uma pauta atrasada.

Confira a entrevista na íntegra AQUI

Por Míriam Leitão
Fonte: O Globo




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