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25/08/2021 - Café

Brasil arranca alguns cafezais queimados por geadas; grãos podem ocupar áreas


Produtores de café atingidos em julho pelas geadas mais severas em 27 anos já estão arrancando as lavouras sem chance de recuperação ou localizadas em áreas mais baixas e frias, em movimento ainda pontual, mas que indica efeitos do clima para as próximas safras do Brasil.

O arranquio do café, que pode dar lugar a novas mudas ou em alguns casos ser substituído por culturas como milho, soja e feijão, mostra também o desânimo daqueles que colheram pouco em meio à seca em 2021, após o cafezal ter sido podado visando uma maior colheita em 2022, o que não será possível com as geadas.

A erradicação, ainda restrita a algumas áreas do maior produtor e exportador global de café, ocorre antes mesmo da chegada de temporada de chuvas, contrariando recomendação técnica de aguardar a possível brotação nos pés antes de qualquer poda, para que seja obtido um melhor manejo dos danos no cafezal.

"O que já tem de lavoura arrancada, já tem bastante. Já está tudo acumulado nas propriedades. Com o passar do tempo, de cima pra baixo foi morrendo mais", disse Airton Gonçalves, por telefone, diretamente de Patrocínio, no Cerrado Mineiro, citando casos de propriedades próximas.

Há também lavouras novas atingidas pelas geadas que serão replantadas ou substituídas por cereais. Cafezais de produtores não tradicionais também estão mais propensos a virar plantação de milho, soja ou feijão, o que poderia reduzir a cultura cafeeira em regiões tradicionais de Minas Gerais.

"Vai ter muita área que vai migrar para grãos. Um amigo meu, de 350 hectares, vai arrendar parte para soja", disse Gonçalves, lembrando que um colega atingido pelas geadas chegou a chorar sob o pivô de irrigação, ao ver os efeitos do frio mais intenso para os cafezais desde 1994.

O produtor disse que cafeicultores como ele, que estão há mais tempo na atividade, relutam em trocar de cultura, mas não é o caso daqueles que têm no café uma segunda fonte de renda e são novos na atividade, como médicos e empresários. "Esses que entraram há pouco tempo desistem, não voltam mais", comentou.

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Por Roberto Samora e Marcelo Teixeira/Reuters
Fonte: UOL




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