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24/12/2020 - Mercado

Brasil mantém espaço, mas precisa se adequar ao mercado europeu


Em seu prognóstico para os próximos dez anos, a União Europeia prevê uma redução na área de plantio, melhor aproveitamento do solo e um pequeno ganho no volume produzido.

No setor de proteínas, as carnes bovina e suína perdem espaço, mas a de frango ganha. O consumo anual de carnes deve recuar para 67,6 quilos per capita em 2030, uma queda de 1,1 kg em relação ao atual. O Brasil vai continuar inserido no mercado europeu, mas pode perder espaço se não se adaptar às novas exigências dos consumidores do continente.

Não dá mais para pensar que “eles têm de comer em nossas mãos”, um dogma difundido nos últimos anos no Brasil, diante de algumas exigências de mudanças europeias no sistema de produção nacional.

O estudo da Comissão Europeia prevê que 10% da área a ser utilizada no plantio de grãos será para a produção de produtos orgânicos. Os europeus vão manter uma dependência da importação de grãos para a composição das rações, mas essas compras vão exigir, cada vez mais, produtos não geneticamente modificados.

Para reduzir a dependência dos chineses e buscar uma remuneração melhor para produto com maior valor agregado, os brasileiros vão ter de se adaptar a essas exigências.

A área total utilizada pelos europeus para a produção agroflorestal cairá para 161,2 milhões de hectares em 2030, com recuo de 500 mil em relação à deste ano. A área de cereais recua para 51 milhões de hectares, 1,4 milhão a menos.

A produção total de cereais será de 278 milhões de toneladas em dez anos, com a necessidade de importações de 29,3 milhões. Apesar de importadores, em 2030 os europeus exportarão 47 milhões de toneladas de cereais, 20% mais do que atualmente.

Para elevar a produção em uma área que será menor, os europeus apostam em melhoras no uso do solo, na rotação de culturas, na utilização de novas tecnologias - o que resulta em maior produtividade -, e no avanço da gestão nas propriedades agrícolas.

Na avaliação dos europeus, o consumo de alimentos vai avançar para produtos inovadores de proteína vegetal e com produção local. A produção de orgânicos, que representava 5% da área em 2012 e subiu para 8% em 2018, deverá atingir 10% em 2030.

A dependência dos países do bloco vai ser mantida em milho, arroz, soja e farelo. No caso do arroz, o consumo deverá subir para 6 quilos por pessoa, por ano. A produção na Europa, contudo, é afetada pelo clima e dificultada pelo preparo do solo, que exige um período da lavoura sob a água.

O Brasil tem espaço para elevar a produção deste cereal, mas a baixa remuneração dos produtores nos anos recentes e a competitividade da soja reduziram a área de cultivo. Mudança climática, alteração no hábito de consumo, preocupação com o meio ambiente e envelhecimento da população vão levar os europeus a reduzirem o consumo de carnes.

Conforme as previsões do departamento de agricultura da Comissão Europeia, o consumo de carne bovina cairá para 9,7 quilos em 2030. O de carne suína recuará para 31,9, mas o de frango subirá para 24,6 quilos per capita.

A força de trabalho no campo continuará caindo nos próximos dez anos, a um ritmo de 1% ao ano. No final da próxima década, serão 7,9 milhões de pessoas ocupadas na produção agropecuária dos 27 países que compõem a União Europeia.

O rendimento real dos trabalhadores evoluirá será de 0,5%, abaixo do 1,9% dos dez anos anteriores, segundo os dados do bloco europeu.

Por Mauro Zafalon / Vaivém das Commodities
Fonte: Folha de S.Paulo - http://tempuri.org/tempuri.html




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