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09/08/2021 - Clima

Crise do clima cobra 'fatura' do mundo


Uma das piores secas já registradas no País e duas semanas consecutivas com geadas devastadoras. Enchentes que mataram mais de 200 pessoas na Alemanha e na Bélgica. Queimadas nos Estados Unidos e no Canadá. Seca também em Taiwan e chuvas na China. São vários os desastres climáticos ocorrendo simultaneamente em diferentes partes do mundo. Além das perdas humanas, eles têm causado prejuízos econômicos e mostrado que a conta do aquecimento global não para de subir.

No Brasil, uma combinação de seca e geada reduziu as safras de milho, café e cana-de-açúcar, entre outras lavouras. Nos EUA, o preço da madeira aumentou por causa das queimadas registradas na costa oeste. Na Alemanha, as indústrias química e siderúrgica tiveram prejuízos por não conseguirem escoar mercadorias pelo Rio Reno e, em Taiwan, a seca prejudicou a produção de semicondutores – cuja fabricação é intensiva em uso de água – e colaborou para que esses chips se tornasses escassos no mundo todo.

Só a seca e a geada no Brasil devem reduzir a safrinha de milho deste ano de 110 milhões de toneladas – volume esperado inicialmente – para 80 milhões, uma queda de 27,3%. Com o aumento acelerado da demanda global pela commodity e as perdas no País, que é o terceiro maior produtor de milho do mundo, o preço da saca aumentou 100% em um ano.

Prejuízo para 2022
A geada também reduziu as safras de cana-de-açúcar e café. No caso do café, a queda deve ser de pouco mais de 10%, de 48 milhões de sacas para 43 milhões. Essa redução fez o preço subir 20% em um mês, atingindo o recorde em sete anos no dia 28 de julho, quando a saca foi cotada a US$ 207,73.

Na cana, a redução decorrente apenas da geada deve ficar em 7%, de 570 milhões de toneladas esperadas para o Centro-Sul do País para 530 milhões.

O problema é que as rações costumam ser feitas com milho. “Com a queda na safra, será desafiador alimentar o boi com ração. O custo vai aumentar. E porcos e frangos também são alimentados com milho”, lembra o analista.

Geadas e secas que dizimam produções não são uma novidade, mas a sucessão de eventos climáticos extremos tem surpreendido até os especialistas da área.

“A intensidade desses eventos também tem chamado atenção. Estamos assustados. A sensação do cientista do clima é que, mesmo quando se previa um cenário pessimista, ele ainda era suave comparado com a intensidade do que estamos tendo”, diz o professor Francisco Aquino, do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Perdas e danos
Milho
Um dos produtos que mais tem sofrido com a seca, o milho chegou a ter a saca cotada a US$ 20, patamar inédito. O preço já vinha avançando com o crescimento da demanda global. Com a seca e as geadas no Brasil – o maior exportador da commodity –, a oferta global caiu. “Não lembro de uma seca tão forte como essa”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho, Cesario Ramalho. O analista Rodrigo Almeida, do Santander, também afirma nunca ter visto um impacto tão significativo de uma geada como ocorreu no Paraná. “Dados indicam que só 6% da área cultivada no Estado estão em boas condições.”

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Por Luciana Dyniewicz
Fonte: O Estado de S.Paulo




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