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28/04/2021 - Soja

Embrapa investe em cultivar de soja convencional mirando exportações


Mirando mercados europeus e – mais recentemente também o israelense, por quem a Embrapa foi procurada – pesquisadores da instituição avançam para reforçar a presença de sojas convencional e orgânica nas lavouras brasileiras.

O lançamento da primeira cultivar nacional com resistência à ferrugem asiática e tolerância ao percevejo, duas entre as principais pragas do setor, foi um dos destaques apontados pelo presidente da Embrapa, Celso Moretti, na divulgação do balanço das ações de 2020. Engenheiro agrônomo e doutor em produção vegetal, Moretti ressalta que a soja convencional é a única aceita na União Europeia e que as oportunidades são crescentes, inclusive para o cultivo orgânico da oleaginosa.

“Observamos que existe um espaço interessante para a produção convencional, como na Europa, que não compra produto transgênico. E recentemente recebei um contato de empresários de Israel interessados em importar soja orgânica brasileira, um nicho específico”, comenta Moretti, especialista em engenharia de produção com ênfase em gestão empresarial.

De acordo com Rodrigo Brogin, pesquisador da Embrapa Soja e integrante diretoria do Instituto Soja Livre, que estimula o desenvolvimento de soja convencional no Brasil área de soja convencional estimada safra 20/21, 915.150 hectares, com produção estimada de 3 milhões de toneladas. Ante o total de 38 milhões de hectares semeados com o grão no mesmo período a área representa menos de 3%. Mas o lançamento da variedade da BRS 539, no entanto, deve ajudar a elevar a área convencional na safra 21/22, avalia Brogin.

O Mato Grosso é o maior produtor, com aproximadamente 485 mil ha (53% da produção de convencional nacional), seguido pelo Paraná (18%), Goiás (10%) e Mato Grosso do Sul (7%). Os quatros Estados representaram 87% da área de soja convencional na safra 20/21. Já sobre o cultivo orgânico a Embrapa não possui um levantamento, mas Brogin diz que se concentra especialmente na região Sul.

“O custo de produção convencional é muito similar à transgênica. A produtividade é inerente à cultivar que se adota. Hoje, temos cultivares convencionais altamente competitivas, assim como as transgênicas. O crescimento depende da bonificação, que atualmente fica entre US$ 2 e US$ 5 a mais por saca de 60 quilos.

O pesquisador diz ainda cultivares convencionais com ao recentemente lançados pela Embrapa são muito competitivas no mercado de sementes em geral pela boa resistências a doenças e nematoides. Um mercado que também começa a despertar a atenção de empresas privadas, acrescenta Brogin.

No Mato Grosso, por exemplo, uma empresa lançou uma cultivar convencional com ampla resistência a nematoide do cisto da soja. Essa característica nenhuma outra cultivar transgênica possui igual. Ela é muito utilizada por produtores que precisam dessa resistência”, diz o representante da Embrapa Soja.

Pesquisas que geram lucros
Em 2020 o lucro social da Embrapa foi de R$ 61,85 bilhões.

Esse valor foi obtido a partir da análise do impacto econômico de uma amostra de 152 tecnologias e 220 cultivares desenvolvidas pela Empresa, além dos indicadores laborais e sociais.

O lucro social é um valor decorrente dos benefícios econômicos recebidos pelo setor produtivo com a adoção das soluções tecnológicas geradas pela empresa, explica Graciela Vedovoto, analista responsável pela área de Avaliação de Desempenho da Secretaria de Desenvolvimento Institucional (SDI).

Esse valor é calculado por meio da soma dos lucros obtidos pelos adotantes dessas soluções.

Em 2020 a analista explica que o lucro social de R$ 61,85 bilhões foi obtido com receita operacional líquida de R$ 3.48 bilhões.

Com isso, o índice de retorno social de R$ 17,77 para cada real aplicado na Embrapa.

A nova cultivar
A nova soja BRS 539  foi desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a Fundação Meridional. É uma soja convencional que agrega a tecnologia Shield, linha de cultivares de soja que apresentam genes de resistência à ferrugem-asiática, oferecendo proteção extra para o produtor.

O pesquisador Rafael Petek destaca ainda que a cultivar pode atrair o interesse dos produtores de soja em sistema orgânico, porque além de ser não transgênica, as características desse lançamento facilitam o manejo fitossanitário de pragas e doenças e podem reduzir o uso de químicos.

A Embrapa cita como exemplo das perspectivas à produção convencional, a Integrada Cooperativa Agroindustrial, presente há 25 anos em 50 municípios do Paraná e de São Paulo, com cerca de 11 mil cooperados e que mantém um programa de bonificação para a soja convencional.

Em 2020, a cooperativa gerou 1,3 milhão de sacas de soja convencional, o que representa entre 5% e 6% do total de recebimento e pagou R$ 6,00 a mais por saca recebida.

Por Thiago Copetti
Fonte: Jornal do Comércio - http://tempuri.org/tempuri.html




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