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29/07/2021 - Outros

Entenda os efeitos da pandemia na cadeia produtiva brasileira


Com dimensões continentais, o agronegócio brasileiro opera unindo uma cadeia de pequenos, médios e grandes produtores que, juntos, fazem do país o maior fornecedor de alimentos do mundo. Cada um desses agentes, porém, responde de uma forma às mudanças na economia.

“Dentro dessa cadeia você vai ter diversos agentes atuando em pontos que naturalmente vão responder à mesma conjuntura de uma forma muito distinta. Esse universo do agro não é uma unidade homogênea, tem muita coisa lá”, diz Felippe Serigati, do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

Com a pandemia, isso ficou ainda mais evidente. Para alguns setores, como a pecuária leiteira, flores e hortifruti, a situação tem sido difícil. No circuito das frutas, que concentra pequenos e médios produtores numa região de 10 municípios do estado de São Paulo, a colheita foi boa no ano passado, mas as vendas despencaram, porque as portas foram todas fechadas. 

“Nós fornecemos direto para sacolões, restaurantes, que hora abrem, hora não abrem. Hoje eu planto, mas não sei se vou vender. As vendas onlines ajudam, mas é muito pouco em função do volume que nós plantamos”, conta José Henrique Losqui, produtor rural.

Enquanto isso, outros setores, principalmente as comodities como grãos, açúcar, café e carne bovina, tiveram em 2020 um dos melhores anos da história. Diante da maior crise econômica do século o agronegócio provou porque é chamado de um dos maiores motores da nossa economia.

À medida que a China, os países asiáticos se recuperam antes do que os países do ocidente, a demanda por esses produtos cresceu muito, então o preço da soja subiu, o preço do milho subiu.

A disparada dos preços das commodities, provocada pela retomada mundial, ajudou o Brasil a alcançar US$ 100,8 bilhões em exportações - o segundo maior valor da série histórica, e um faturamento 18,2% maior que em 2019. Mesmo com automação crescente na produção, o setor gerou empregos para mais de 61 mil brasileiros, o melhor resultado em 10 anos. O país só conseguiu alcançar essa combinação positiva porque investiu há décadas no ingrediente mais eficiente da economia: a produtividade.

Espaço para crescer
Os números já são bons, mas os resultados podem ser ainda melhores. Para especialistas, o Brasil ainda pode se beneficiar muito mais de todo o potencial do campo. Para isso, uma das estratégias seria passar a ter uma maior industrialização dos produtos. Isso gera valor agregado e amplia os ganhos econômicos para todo o país.

 “A industrialização do agro tem aí algum desequilíbrio. Tanto que nós exportamos muito mais soja, acho que nos últimos anos uns 25% da nossa soja. O resto é tudo grão vendido. Isso geraria uma renda fabulosa no Brasil se fosse industrializado”, diz Antônio Chavaglia - presidente da Comigo (Cooperativa dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano).

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Por Karla Chaves, Tiê Santoro e Diego Mendes
Fonte: CNN Brasil




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