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27/10/2021 - Cana

Estoque do Brasil deve atender demanda na entressafra


O estoque brasileiro de etanol deve ser suficiente para atender à demanda pelo biocombustível durante a entressafra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, que vai até abril do ano que vem. A estimativa é do diretor de Vendas, Marketing e Logística da Tereos no Brasil, Gustavo Segantini. "O consumo do Ciclo Otto deve ter crescimento forte este ano, mas o etanol hidratado está com o menor share dos últimos cinco anos, então nossa capacidade de estoque atenderá sim à provável demanda que estimamos para a safra", disse ele na tarde de ontem (26/10), durante a 21ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol.

Segantini afirma que o consumo de etanol deve ser afetado pela paridade próxima da gasolina, que hoje está em torno de 78%. "Por causa dessa paridade, o market share do etanol deve ficar parecido com o de hoje. Só deve cair mais se chegar perto de 85%."

Mesmo com o consumo baixo, Segantini espera preços sustentados para o biocombustível. "Temos paridade com gasolina, que vem acompanhando o preço global", afirmou. "Agora, com o mercado internacional subindo e a gasolina acompanhando, o etanol também avança." Ele lembrou que o preço interno da gasolina pode subir ainda mais, já que, mesmo com o reajuste anunciado ontem, as cotações no Brasil continuam defasadas na comparação com as do exterior.

Safra 2022/23 - O Centro-Sul do Brasil deve processar entre 530 milhões e 565 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na temporada 2022/23, que começará em abril do ano que vem na região, estima a consultoria Datagro. Já a produção de açúcar deve variar entre 31,6 milhões de toneladas e 33,7 milhões de toneladas. As projeções foram divulgadas ontem, durante a 21ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol. A moagem deve subir em comparação com a temporada atual 2021/22, que se encaminha para o fim no Centro-Sul, estimada em 518,6 milhões de toneladas; enquanto a produção de açúcar para a temporada atual na região é projetada em 31,9 milhões de toneladas.

O presidente da Datagro, Plinio Nastari, afirmou que a projeção para 2022/23 "combina o fato de que o plantio foi comprometido em 2021, quase não foi realizado, e quando as chuvas vieram, todos plantaram, mas com perspectiva de dificuldade para recomposição de estoques de insumos, comprometidos pelo agravamento de fertilizantes estratégicos, como potássio e fósforo". Isso indica, segundo Nastari, que a safra deve começar com baixa qualidade de cana, com melhora relativa no segundo semestre do ano que vem.

O preço dos contratos futuros de açúcar na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) deve ficar entre o preço de oportunidade do etanol hidratado no Brasil e a paridade e a exportação de açúcar na Índia. Os fatores altistas, segundo Nastari, são os problemas com a safra 2021/22 no Centro-Sul brasileiro e a probabilidade de atraso em 2022/23, o atraso da safra na Índia, o aperto do balanço de etanol no Brasil, a improbabilidade de a Índia voltar a subsidiar exportações do adoçante, a recuperação dos preços do petróleo e o avanço das cotações de açúcar nos mercados internos de Brasil e Índia.

Já os fatores baixistas são o enfraquecimento do mercado físico, os maiores volumes de chuva no Centro-Sul do Brasil, a possibilidade de aumento na produção da Tailândia, o custo de frete mais alto, o fortalecimento do dólar, a nomeação lenta para embarque de açúcar no Brasil e a janela fechada para importação de açúcar na China.

Nastari destacou, ainda, que o setor sucroenergético deve ter entre três e quatro anos de preços compensadores, mas que o volume de cana processado só deve retornar aos níveis de 2020/21 na temporada 2023/24.

Por Augusto Decker
Fonte: Broadcast AGRO




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