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31/12/2020 - Milho

Estoque menor nos EUA, atraso de plantio na américa do sul e aumento da demanda podem elevar preço


A produção norte-americana de milho abaixo da expectativa resultará em menor oferta do grão, elevando os preços nos próximos meses, avaliam especialistas. O estoque de milho dos Estados Unidos no fim da temporada de cultivo de 2020/21 deve ser de 1,3 bilhão de bushels (33,02 milhões de toneladas), menor do que o nível de 1,702 bilhão de bushels (43,23 milhões de toneladas) projetado atualmente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), diz Shawn Hackett, presidente da Hackett Financial Advisors.

"A projeção do USDA precisa cair", afirma. "O mercado de milho não embutiu nos preços um estoque de passagem de 1,3 bilhão de bushels e terá que reprecificar essa realidade." Quando isso se tornar aparente, o preço dos grãos poderá saltar para entre US$ 5 e US$ 6 por bushel, diz Hackett. Nesta quarta-feira, o milho para março chegou a ser negociado na máxima a US$ 4,76/bushel na Bolsa de Chicago (CBOT), ante uma mínima de US$ 3,08 no início de agosto.

Parte da narrativa é que o clima desfavorável na América do Sul levará ao plantio tardio da segunda safra de milho, ou safrinha, no Brasil. Por sua vez, isso pode levar a níveis de produção mais baixos. A safra normalmente seria plantada em fevereiro, mas a seca na América do Sul atrasou o plantio da soja, o que acabará tendo o efeito indireto de atrasar a safra de inverno do milho.

"A safra de soja da América do Sul atrasou, e isso pode significar uma diminuição na segunda safra de milho", afirma Sal Gilbertie, fundador e CEO da Teucrium Trading. Uma safra reduzida no Brasil é uma questão importante, já que o País é o terceiro maior produtor de milho, representando quase 10% da produção mundial, segundo estimativas do USDA. Está atrás dos EUA e da China, respectivamente.

Há um outro problema. Agricultores de todo o mundo podem escolher quais safras plantar a cada ano, e a soja e o milho são intercambiáveis. Embora os agricultores normalmente façam a rotação das culturas que cultivam, eles também são influenciados pelo preço atual de cada uma.

Atualmente, os preços da soja estão muito mais elevados do que os do milho, dando aos agricultores um incentivo para escolher a oleaginosa em 2021/22. "Tanto a soja quanto o milho precisam de mais acres, mas apenas um deles vai ganhar", diz Gilbertie. "Neste momento, a soja vai ganhar porque seu preço está mais alto." Agricultores provavelmente deixarão de plantar milho em favor da soja nos EUA.

Uma oferta menor de milho vem junto com o aumento da demanda pelo cereal de duas fontes. Em primeiro lugar, o consumo de gasolina aumentou em linha com a recuperação recente da economia global. E isso significa mais necessidade de etanol para mistura no combustível fóssil, e nos EUA o etanol é produzido a partir do milho.

Separadamente, a China precisa de milho para alimentar um número crescente de suínos à medida que reconstrói seu rebanho, devastado em 2019 por um surto massivo de peste suína africana. A doença resultou no abate de mais de 200 milhões de animais.

Por Dow Jones Newswires
Fonte: Broadcast Agro - http://tempuri.org/tempuri.html




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