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27/07/2021 - Outros

Falta armazém para o agro


O agronegócio brasileiro é um caso global de sucesso: passou de importador de alimentos nos anos 1970 para um dos maiores exportadores do mundo, com a previsão, para a safra 2020/2021, de uma produção recorde de 260,8 milhões de toneladas de grãos, como soja, milho, arroz e feijão. O recorde anterior foi na safra 2019/2020, com 257,8 milhões de toneladas.

O valor bruto da produção (VBP), cálculo que estima o valor real da produção descontada a inflação do Índice Geral de Preços (IGP), é calculado em R$ 1,11 trilhão para este ano, 11,8% acima de 2020. Mas esse crescimento esconde um problema: a falta de espaço para armazenagem coloca o país em risco e reduz o lucro dos agricultores.

O Brasil não tem onde guardar toda a produção que sai do campo, acumulando um déficit de armazenagem de 100 milhões de toneladas por safra, conforme estudos da consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio.

No Brasil, só 14% das fazendas têm armazéns ou silos. No Canadá, são 85%; nos Estados Unidos, 65%; e na Argentina, 40%, segundo o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Sem armazéns nas propriedades, os agricultores correm para vender a colheita com os preços do dia, para não acumular perdas. Com silos, seria possível guardar a safra e negociá-la aos poucos, ao longo do ano.

Para o país, o problema ameaça a segurança alimentar. Sem ter onde guardar, o Brasil fica exposto a riscos de abastecimento, em caso de quebras significativas de safra, como ocorreu com o arroz no ano passado.

Agricultor poderia ganhar 55% a mais
Os ganhos com a armazenagem de grãos em silos próprios, instalados dentro da fazenda, podem chegar a até 55%, já que permitem que o agricultor venda grãos no período da entressafra quando os preços estão mais altos, diz um estudo do Serviço de Aprendizagem Rural (Senar).

Esse lucro viria do planejamento da venda dos grãos ao longo do ano, da redução com os custos de frete e do aumento do rendimento da colheita, já que, sem filas logo após a colheita, o produtor não perde parte da produção no transporte.

Piero Abbondi, CEO da empresa do setor de armazenagem Kepler Weber, explica que, com o silo instalado na fazenda, o produtor pode optar por formas mais lucrativas da comercialização de sua safra.

"Como todo negócio, o agricultor pode, ao fim da safra, vender um determinado volume para pagar a conta e gerar fluxo de caixa, e, depois, ter volumes estocados para comercializar na entressafra, ao longo do ano, com preços mais altos e estratégicos", disse.

Segundo ele, outra vantagem é a redução dos custos de transporte. "O frete no Brasil tem o seu ápice durante a safra, pois sem ter alternativa o produtor paga para não ter prejuízo", afirmou. "Com o armazém instalado na fazenda, ele foge desse custo, não precisa ficar na fila e alivia a pressão sob o sistema logístico [estradas e portos]."

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Por Viviane Taguchi
Fonte: UOL




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