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05/11/2020 - Pecuária

Gado confinado não dá conta da demanda e falta boi na praça


Os preços do boi gordo dispararam ontem (04/11), fortalecendo ainda mais a tendência de alta da arroba, que parece não ter mais fim. Em São Paulo, o valor máximo do boi gordo atingiu R$ 280/@, a prazo, enquanto a vaca gorda foi a R$ 260, segundo apurou a IHS Markit.

“Mesmo com a entrada de alguns lotes de gado terminado em confinamento, a atual disponibilidade de oferta não é suficiente para atender a demanda vigente no país, condição que desencadeou um forte movimento de alta nos preços da arroba no dia de hoje”, relata a consultoria.

Este esgotamento de oferta de animais prontos está relacionado sobretudo à mudanças estruturais da cadeia da carne ocorridas no passado recente, tais como alto nível de abate de fêmeas (que resultaram na queda na oferta de animais jovens); saída de muitos pecuaristas da atividade de cria devido ao estrangulamento das margens; e migração de pecuária para agricultura.

Neste ano, comenta a IHS Markit, a conjuntura de baixa oferta de bovinos foi agravada pelo retardamento no alojamento de animais nos confinamentos, além do atraso das chuvas em muitas regiões pecuárias, o que retardou a recuperação das pastagens e, com isso, a entrega de “animais de capim”.

Com o prolongamento do período seco, uma parte dos pecuaristas resolveu colocar os animais no cocho, justamente num momento de disparada nos preços das rações (milho e farelo).

Dessa maneira, as escalas de abate das indústrias continuam bastante apertadas, resultando e, por isso, os frigoríficos não têm outra saída a não ser oferecer mais pela arroba, estimulando a decisão de venda por parte dos pecuaristas.

Giro pelas praças
Entre as praças situadas na região Centro-Sul, destaque para os avanços registrados nesta quarta-feira nos Estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, segundo acompanhamento dos analistas da IHS Markit.  “As plantas frigorificas que atuam no mercado sul mato-grossense relatam muita dificuldade em preencher as suas escalas de abate nesta semana, agravada pela presença de compradores de Estados vizinhos, como São Paulo”, observa a consultoria. Semelhantemente, os preços disparam no Mato Grosso em função da maior disputa por ofertas locais.

Em Goiás e Paraná, as cotações da arroba registraram fortes altas em função da maior necessidade de compra de gado por parte de indústrias que têm compromissos com o mercado externo.

No Norte e Nordeste, o mercado se mostrou mais calmo, porém o ambiente é de preços firmes, sobretudo devido às exportações, informa a IHS.

No atacado, os preços dos principais cortes bovinos seguiram estáveis, sustentados por uma demanda mais ativa, especialmente pela aproximação deste próximo final de semana. Com estoques ajustados, a possibilidade de novas altas não é descartada, avalia a IHS.

Em relação as vendas externas, em outubro passado, o Brasil exportou 162,7 mil toneladas de carne bovina in natura, recuperação de 14,3% frente ao mês anterior. No acumulado de janeiro a outubro, o volume exportado soma 1,41 milhão de toneladas, 11,8% acima do volume registrado em igual período de 2019.

Por Denis Cardoso
Fonte: Portal DBO - http://tempuri.org/tempuri.html




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