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02/12/2020 - Soja

Gafanhotos atacam lavouras de soja no RS e agricultores já sofrem prejuízos


Gafanhotos estão atacando e destruindo lavouras de soja no noroeste do Rio Grande do Sul. Produtores da região já relatam, também, que os insetos chegaram a algumas plantações de milho. Diante do avanço sobre a safra recém-plantada, os agricultores pedem ajuda das autoridades para conter os insetos e amenizar as perdas.

Segundo Luiz Carlos Pommer, técnico em agricultura do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Augusto (RS), pelo menos três agricultores de São Valério do Sul (RS) já relataram ataque a plantas de soja. Também há casos confirmados na zona rural de Santo Augusto.

Ele conta que os insetos migraram para as lavouras depois de comerem folhas de árvores timbó às margens das propriedades. "Eles deixaram só o talo e o tronco das árvores. E, na medida que vai secando essas plantas, estão começando a migrar para a soja. Desde sábado, começaram a comer a beiradas das lavouras", relata o técnico.

Pommer também observa que há focos de ninfas e de gafanhotos em fase de procriação, o que só aumenta a preocupação. "São muitos e cada um pode colocar de 100 a 200 ovos. Ou seja, Se não houver controle efetivo, a população de insetos pode triplicar", ressalta.

"Como 85% deles ainda estão na mata perto das lavouras, não podemos fazer uso de inseticida porque isso mataria, também, outros insetos e aves, causando problemas ambientais. Recomendamos que agricultores só apliquem produtos registrados para gafanhotos para evitar causarem mal ao meio ambiente", salienta o técnico.

Inspeção e coleta de material
Fiscais agropecuários inspecionaram a região na tarde de ontem (1/12) para avaliar os danos e coletar material referente ao gafanhoto, que será remetido à Universidade Federal de Santa Maria (USFM) para identificação da espécie.

"Mas já se sabe que não é a mesma espécie que fez ataques na Argentina. Este gafanhoto não forma nuvem, se aglomera em grupos de forma separada e aleatória, e não tem poder de voo e distanciamento alto, o que é interessante para as medidas de controle", observa Alonso Andrade, fiscal agropecuário do Estado.

Segundo ele, a operação para mapear a região e definir as ações que serão adotadas para evitar a proliferação dos insetos envolve cerca de 25 fiscais. Até agora, os danos não são alarmantes. "Existem danos, mas nada comparado aos causados pelos gafanhotos na Argentina", destaca Andrade.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Augusto, Clovis Sequinatto destaca a preocupação com o avanço dos gafanhotos na região e revela que foi possível avistar até seis gafanhotos em um único pé de soja. "É um foco muito grande. Meu medo é que os insetos migrem em massa para as lavouras de soja, ainda mais agora que ela começou a crescer porque choveu nos últimos dias. Com certeza vai atingir milho, mandioca e cana de açúcar. É muito preocupante", afirma.

Chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, o agrônomo Ricardo Felicetti afirma que os surtos na região são "infestações pontuais de espécies locais que ocorrem normalmente em anos mais secos como esse". 

A Secretaria também orienta que, caso detecte registros na propriedade, o produtor entre em contato com a pasta ou com a rede de vigilância, composta pelas inspetorias e escritórios de defesa agropecuária da secretaria e os escritórios municipais da Emater/RS-Ascar.

Ministério acionado
O secretário de Agricultura do RS, Luis Covatti, disse a Globo Rural que amostras do gafanhoto já foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura para verificar se há algum defensivo liberado no Brasil para o combate.

Em nota, o Ministério informou que as medidas em relação ao caso dependerão de "avaliação somente após a identificação das espécies e os resultados dos levantamentos de campo quanto aos reais níveis de danos encontrados".

Caso não haja um produto químico disponível, o Estado pretende comprá-lo fazendo uso do decreto emergencial feito na época de alerta  para as nuvens de insetos que circulavam pela Argentina.

Segundo Covatti, o ataque maior ainda é em áreas de vegetação e o clima seco e quente na região proporcionou as condições ideais para reprodução dos insetos. Apesar disso, diz o secretário, análises preliminares indicam que a espécie em questão não tem a características de formar nuvens.

Por Alana Fraga, Eliane Silva e Leandro Becker
Fonte: Globo Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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