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26/07/2021 - Café

Geadas em 3 estados prejudicam cafezais


Quando a meteorologia previu uma geada forte para a noite de 19/7, o agricultor Fernando Lopes, de Mandaguari, no norte do Paraná, foi obrigado a adotar uma medida extrema. Ele cobriu com terra, um por um, 50 mil pés de café plantados recentemente que, se ficassem expostos ao tempo, seriam torrados pela camada de gelo. Lopes salvou as mudas pequenas, desenterradas três dias depois, mas não conseguiu evitar as perdas em outros 650 mil cafeeiros de até 15 anos espalhados por 146 hectares da fazenda. “Foram danos variáveis, mas, na média, teremos uma quebra de 30% na safra do ano que vem”, disse.

Produtores de café arábica dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que abrigam algumas das principais regiões produtoras do Brasil, contabilizam os prejuízos causados por duas geadas consecutivas que atingiram as lavouras. De origem africana, o cafeeiro é sensível ao frio e, dependendo da intensidade, a geada pode até matar a planta. O governo federal tem usado imagens de satélite para dimensionar o tamanho do estrago, mas já admite o impacto na safra de 2022.

O preço do café arábica disparou no mercado internacional. A saca de 60 kg, que era vendida a R$ 606 em dezembro de 2020, atingiu R$ 960 ontem em São Paulo – alta de quase 60%.

Muitos produtores terão de arrancar os cafezais mais danificados. É o que pode ter acontecido em algumas lavouras de Lopes. “Ainda não temos certeza, mas é possível que tenhamos de fazer a recepa (corte baixo do tronco, com perda da copa) em alguns talhões”, disse. Ele mantém tratores e pessoal a postos para, eventualmente, enterrar outra vez os cafeeiros novos. “Há outra previsão de geada para o fim do mês.”

O pesquisador José Donizeti Alves, especialista em café da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas, disse que essa última geada foi mais severa do que a anterior, na noite de 30 de junho. “Desta vez, a extensão da área foi muito maior, atingindo 15% do cerrado mineiro, 20% das lavouras do sul de Minas e 10% na região da Mogiana, com variável alta de queima, entre 50% e 100%. Ainda é preciso aguardar até duas semanas para conhecer a extensão dos danos, mas a quebra é irreversível e deve passar de 4 milhões de sacas”, disse. O Brasil produz uma média de 60 milhões de sacas de café por ano.

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Por Estadão Conteúdo
Fonte: Canal Rural




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