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28/10/2020 - Tecnologia

Governo busca soluções para cobrir com acesso à conexão 196 milhões de hectares


Governo e setor produtivo continuam em busca de alternativas para conectar os 195,7 milhões de hectares que permanecem off line no Brasil (área equivalente a sete países da Europa), grande parte nas mãos de produtores familiares que não têm acesso nem à conexão básica, muito menos a ferramentas de agricultura de precisão e internet das coisas.

Nos cálculos do Ministério da Agricultura, é necessário instalar 4,4 mil antenas país afora para conectar 50% da área rural usando as torres já existentes e o modelo de telefonia móvel por meio de sinal de 4G, 3G e 2G. Para chegar a 75% das propriedades, seria preciso construir 15,1 mil conjuntos de torres e antenas. Nesse último cenário, o impacto positivo projetado no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária em três anos é de quase R$ 80 bilhões, a um custo pouco superior a R$ 7 bilhões.

Para tornar o plano viável, a principal aposta ainda é na aprovação do projeto de lei que permitiria o uso dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para a criação de linhas de crédito para a compra de kits de conectividade no campo. O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) diz que a intenção é integrar as pequenas empresas de internet que atuam no interior com capilaridade para atender os produtores. “São cerca de 13 mil empresas que já estão no negócio. Elas trabalham com dinheiro próprio, imagine com impulso da política pública”, afirma ele.

Conforme Leonardo Euler de Morais, presidente da Anatel, a agência é favorável ao projeto, que depende de aprovação no Senado. O Fust -fruto de 1% da receita operacional bruta das empresas do setor – tem hoje R$ 22,8 bilhões contingenciados. “Na espera pela mudança, a palavra de ordem tem sido transformar contencioso em serviço produtivo”, diz Morais.

Em 2020, a Anatel firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a TIM, no valor de R$ 650 milhões, que levará conexão 4G a mais de 350 municípios do Norte, Nordeste e Norte de Minas Gerais. Com a Vivo, será assinado um TAC de valor semelhante cuja prioridade é a infraestrutura de transporte. “Porque não adianta também chegar com a torneira – ou seja, a antena – sem o encanamento, que é o backhaul”, diz Morais. Backhaul é a parte de uma rede de telecomunicações que liga o núcleo da rede (backbone) e as sub-redes periféricas.

Também sem aval do Congresso para receber o dinheiro que pode bancar um programa nacional de conectividade rural, o Ministério da Agricultura tenta estimular parcerias e desenvolver projetos em quatro “camadas” diferentes para aumentar o nível da conexão no campo: usando estrutura de telefonia, satélite, expansão da fibra óptica e até a utilização dos chamados espaços brancos das frequências das TVs analógicas, que usam antenas de alumínio e repetição do sinal via roteador das casas para levar internet a mais pontos – no caso, da fazenda. Cléber Soares, diretor de Inovação da Pasta, diz que, embora aparentemente obsoleta, essa tecnologia é ampla e capaz de chegar aos rincões mais afastados.

Joaci Medeiros, coordenador técnico do Instituto CNA, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reforça que a conectividade tem de ser disponibilizada de diferentes formas. A entidade vai lançar a Plataforma Multi Soluções em Conectividade Rural. A ideia é ter um portfólio nacional com os serviços das principais operadoras e de provedores locais, com preços adequados à realidade dos diferentes produtores.

Fonte: Beefpoint - http://tempuri.org/tempuri.html




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