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09/04/2021 - Clima

La Niña ainda não acabou mas seu fim é iminente


A Agência de Meteorologia e Oceanografia Norte Americana (Noaa) atualizou nesta quinta-feira, 2, sua estimativa sobre o La Niña no oceano Pacífico. O documento aponta que o fim do fenômeno é iminente, tanto que a probabilidade de existir La Niña ou neutralidade está empatada no trimestre março-abril-maio.

Nos últimos dias, a Agência Australiana de Meteorologia indicou que o La Niña já acabou, apesar de admitir que algumas partes da atmosfera sobre o Pacífico ainda tinham uma fraca assinatura do fenômeno. Normalmente a Noaa é mais conservadora em suas análises.

O importante é olhar para frente e o cenário para o fim do outono e decorrer do inverno é de neutralidade, sem El Niño ou La Niña. A chance de neutralidade sobe para 80% no trimestre maio-junho-julho, enquanto a de La Niña diminui para menos de 20% (o complemento dos 100% é uma chance de menos de 5% de El Niño).

O próximo período úmido ainda é uma incógnita com relação ao predomínio de neutralidade ou de La Niña. Entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, aparece uma chance de 50% de La Niña e de 40% de neutralidade.

“Olhando para a última atualização da simulação americana CFSv2, o oceano Pacífico Equatorial central até poderá esquentar levemente por volta de junho e voltará a resfriar posteriormente com desvio de menos de -0,5°C em dezembro”, diz o meteorologista Celso Oliveira, da Somar.

O aparecimento de uma temperatura levemente acima da média até meados deste ano era algo esperado, porque em profundidade, observa-se o rápido avanço de uma área de água mais quente que o normal e a supressão da área de água fria que manteve o La Niña nos últimos meses.

A questão é que embora esteja avançando muito rapidamente, a água não está muito mais quente que o normal. Então, aparentemente, ela não deverá se sustentar por muito tempo e dará lugar à água mais fria no fim do ano.

De acordo com a simulação CanSIPS, o trimestre abril-maio-junho será caracterizado por chuva abaixo da média em boa parte do Nordeste e no centro e sul do Brasil. No Nordeste, a precipitação inferior ao normal está ligada à temperatura do Atlântico que não ajuda na migração de nuvens carregadas que estão sobre o oceano para o continente. Já no centro e sul do Brasil, o desvio negativo está ligado ao La Niña, mesmo que já em processo de término.

Uma atenção neste momento gira em torno da duração da chuva para a segunda safra brasileira, já que seu ciclo está bem mais atrasado que o normal. “É importante informar que apesar da previsão de chuva acima da média em Mato Grosso, maior produtor de segunda safra de milho do Brasil, a precipitação não será intensa por três meses seguidos. A chuva será mais intensa em abril e enfraquece longo posteriormente”, diz Oliveira.

A temperatura permanece mais elevada que o normal em boa parte das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Observam-se temperaturas mais baixas que a média no litoral das regiões Sudeste e Sul, pela passagem de frentes frias costeiras, outra característica do La Niña, além de boa parte da região Norte.

Entre julho e setembro, a simulação CanSIPS indica chuva dentro da média em boa parte do Brasil. Ou seja, teremos um inverno tipicamente seco, mas sem o extremo observado em 2020. O Sul ainda tem uma previsão de chuva abaixo da média, o que deverá impedir um grande aumento do nível dos reservatórios da região pelo segundo ano seguido.

Além disso, o interior do Brasil permanecerá sob temperatura acima da média, especialmente estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

Entre outubro e dezembro, o período úmido vai retornar ao Brasil com maiores desvios previstos sobre estados como Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Goiás. A precipitação permanecerá abaixo da média sobre a região Sul. Além disso, a temperatura continuará mais elevada que o normal desde o Rio Grande do Sul até o sul de Mato Grosso, passando por Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Por fim, o auge do período chuvoso brasileiro, o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2022, assim como em anos anteriores, será com acumulados abaixo do normal em boa parte do país. Os desvios negativos serão mais percebidos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins e na região Centro-Oeste.

Isso não significa obrigatoriamente dificuldades para a agricultura, mas mostra que a reposição de água nos reservatórios poderá ser ruim pelo segundo verão consecutivo. “Há mais de dez anos, os verões vêm sendo menos chuvosos que o normal, situação ligada à um fenômeno de longa duração chamado de Oscilação Interdecadal do Pacífico – ODP”, explica o meteorologista.

Não aparecem grandes desvios de temperatura para o próximo verão. A tendência é de uma estação com temperatura dentro da média na maior parte dos estados com exceção de uma faixa entre o Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, onde o calor vai predominar por mais tempo.

Por Pryscilla Paiva
Fonte: Canal Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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