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10/08/2021 - Soja

Mudanças climáticas podem inviabilizar soja e gado no Brasil, diz cientista


A primeira parte do novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, na sigla em português), divulgado ontem (9/8), afasta quaisquer dúvidas sobre a causa do aquecimento do planeta.

O modo de vida da humanidade, movido à base da queima de combustíveis fósseis, emite gases de efeito estufa que estão levando a um rápido aquecimento do planeta. Até a próxima década, a temperatura média global deve subir 1,5 °C, estima o IPCC.

Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo) e membro do IPCC, alerta para os impactos desse cenário no Brasil. Na região central do país, a temperatura pode subir até 5,5 °C, e as chuvas podem cair 30% até o fim do século.

"Esse cenário vai fazer com que áreas onde hoje são produzidas soja e carne possam não ter mais condições de produzir competitivamente daqui a 10, 20, 30 anos", analisa em entrevista à DW Brasil.

O sexto relatório do IPCC (AR6) será composto por quatro partes. Além da ciência física, divulgada agora, as demais se ocuparão com os impactos, vulnerabilidade e adaptação, mitigação, programadas para serem publicadas em 2022.

DW Brasil: O novo relatório do IPCC reforça o entendimento de que o aquecimento do planeta, que provoca as mudanças climáticas, é causado pelas atividades humanas. Dos pontos abordados no documento sobre os quais não se tinha o mesmo grau de certeza nos relatórios passados, o aumento dos eventos climáticos extremos é um dos com mais avanços?

Paulo Artaxo: É muito claro que o aquecimento do planeta está sendo causado pelas atividades humanas. Não houve nenhum único país, durante os debates sobre aprovação do relatório, que tenha levantado dúvidas sobre essa questão.

É um consenso, passamos dessa etapa. Agora é o que fazer, como fazer, quem paga a conta.

Esse relatório trata de vários aspectos que não foram tratados no passado. O primeiro deles, por exemplo, há uma quantificação dos eventos de extremos climáticos. Isso não existia antes.

A gente dizia antes que, aquecendo o planeta, iria aumentar a incidência de eventos climáticos extremos. Esse novo relatório diz que se a gente deixar o planeta aquecer 4 ºC, ondas de calor vão ocorrer 38 vezes mais frequentemente do que ocorreria sem o aquecimento global. É muita coisa.

O documento também faz a vinculação das emissões urbanas e clima global, o que é importante considerando que 80% da população vai viver em áreas urbanas em 2050. Precisamos de políticas públicas para tornar nossas cidades mais eficientes no uso de energia e transporte, mais sustentáveis.

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Por Nádia Pontes / DW
Fonte: UOL




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