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02/06/2021 - Milho

O que esperar do milho safrinha? Atrasos e clima prejudicaram a produção


Seca, estiagem, perda, prejuízo, são algumas das palavras mais utilizadas quando o assunto é a atual segunda safra de milho no Brasil. A safrinha já foi plantada mais tarde e, muitas vezes, fora da janela ideal de cultivo, e sofreu com condições climáticas adversas em muitas regiões produtoras.

Essas intempéries climáticas já levaram à uma série de reduções nas estimativas de produção para o cereal nesta segunda safra que começa a ser colhida, ainda de maneira bastante pontual e localizada. Os números oficiais, divulgados mensalmente pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já foram de 82,8 milhões de toneladas em março, 82,6 milhões em abril e 79,7 milhões de toneladas em maio.

No total das três safras brasileiras, a Conab espera uma produção de 106,4 milhões de toneladas, aumento de 3,7% em ralação ao ciclo 19/20, mas redução na comparação com as estimativas anteriores que já foram de 109 milhões. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) também reduziu a projeção da safra total de 109 milhões de toneladas para 102 milhões de toneladas.                                                                                                      

No mesmo caminho, mas em patamares muito mais intensos, as consultorias privadas também vêm reduzindo suas expectativas de produção do cereal nesta temporada. Ontem (1/6) a StoneX, por exemplo, estimou que a produção do cereal na safrinha deve atingir 62 milhões de toneladas, queda de 14,7% em relação ao número de maio e de 17,1% em comparação à safra anterior.

“Ainda que algumas regiões tenham recebido bons volumes de chuvas no final de maio, a precipitação registrada não foi capaz de promover melhoras na safra, apenas limitar danos mais intensos”, avaliou a StoneX.

Para a produção total, a consultoria estima 89,7 milhões de toneladas para o Brasil, o que seria o menor volume desde a temporada 2017/18. “Mesmo diante de um cenário de significativa retração na disponibilidade do cereal no Brasil e em um quadro de preços muito fortalecidos, a demanda doméstica por milho segue firme. Apesar da leve redução na estimativa de consumo interno da StoneX, para 71,5 milhões de toneladas, o volume ainda seria um recorde”.

Na última sexta-feira (28/5) tinha sido a vez da SAFRAS & Mercado divulgar suas atualizações para a safrinha, dando conta de que a produção deverá ser de apenas 61,59 milhões de toneladas, ante as 70,8 milhões indicadas no mês de abril.

Outra publicação da SAFRAS & Mercado, no primeiro dia de junho, apontou que a produção total do país é estimada em 95,236 milhões de toneladas para 2021, abaixo das 106,833 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.

Aliado a isso, a consultoria espera importação de 2,25 milhões de toneladas para se somar aos estoques de 6,512 milhões de toneladas e formar a disponibilidade de 103,998 milhões de toneladas de milho na safra 2021, volume abaixo das 117,374 milhões de toneladas disponíveis na temporada passada.

Mais cedo em maio, a Agroconsult também reduziu boa parte de sua projeção saindo de 78,3 milhões de toneladas para 66,2 milhões de toneladas, com a seca reduzindo a colheita em 15%. “É uma safra que não terá seu todo seu potencial expressado no campo. A irregularidade climática afetou o milho de forma severa”, declarou André Debastiani, analista da consultoria.

Outra consultoria, a AgRural, é ainda mais drástica nas reduções de produtividade com começaram a safrinha com potencial de 77 milhões de toneladas, caíram para 73 em abril, depois 65,1 em maio e agora estão em apenas 60 milhões de toneladas.

“O novo corte de produtividade deveu-se à revisão para baixo do rendimento médio esperado de todos os estados produtores do Centro-Sul, e só não foi maior porque algumas chuvas esparsas levaram alívio a uma parte das lavouras mais tardias. Para a maioria das áreas, porém, as precipitações chegaram tarde demais”, explica a AgRural.

O analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o cenário de seca em grande parte das regiões produtoras, geadas nas baixadas, granizo e vento, já tirou entre 10 e 15 milhões do potencial produtivo inicial de 90 milhões de toneladas para os 15 milhões de hectares cultivados.

Tudo isso deve ter impacto direto no mercado e nos preços do cereal no Brasil mesmo com o decorrer das atividades de colheita da safrinha neste segundo semestre. “Diferentemente de anos anteriores em que se via um recuo expressivo quando a colheita se iniciava, nos últimos anos isso não tem sido tão concreto. No ano passado os preços já subiram no segundo semestre e nesse ano isso pode se repetir. Com a perspectiva para demanda continuando fortalecida e a redução da produção pode sim resultar em um aumento no preço do milho nos próximos meses”, diz João Pedro Lopes, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Outro ponto destacado por Lopes, é que grande parte desta safrinha, cerca de 60%, já foi comercializada. “Então, mesmo que ela seja colhida, efetivamente não haverá tanto milho assim para negociação porque boa parte já foi negociada e essa pressão que havia sobre a colheita vai sendo atenuada”.

Na visão de Brandalizze, a produção esperada por ele entre 75 e 80 milhões de toneladas deverá ser suficiente para abastecer o mercado até a chegada da próxima safra verão, que deve registrar ampliação de cultivo e produção. “Para o segundo semestre o Brasil precisa de 40 milhões de toneladas e aí seriam mais 30 ou 35 milhões para exportação. É uma conta justa, mas que garante o abastecimento até a primeira safra que deve ter 30 milhões de toneladas ante as 22 milhões registradas em 2021”.

Em nível estadual essas reduções nas perspectivas também estão aparecendo através dos reportes periódicos dos órgãos e entidades ligados à cultura. No Paraná, estado que sofreu mais com as condições climáticas, o Deral (Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná) já revisou os números para baixo diversas vezes.

Antes do plantio a expectativa era de 14 milhões de toneladas, que caiu para 13,4 milhões logo após a semeadura. Depois, a entidade reduziu para 12,23 milhões em seu relatório de abril e agora trabalha com 10,3 milhões em sua última divulgação realizada na quinta-feira (27/5).

"O principal fator é a estiagem que atingiu e atinge o Estado todo neste ano. O cenário não é dos melhores no sentido de abastecimento com a produção bem menor que o esperado, e é inevitável mais perdas nas próximas revisões”, contou o analista de milho do Deral, Edmar Gervásio em entrevista à Agência Reuters.

No estado, a região mais afetada tem sido a norte, onde a produtividade esperada não passa de 30 sacas por hectare, conforme contou ao Notícias Agrícolas o presidente da AssoSoja (que reúne produtores do Norte do Paraná), Rodrigo Tramontina.

Por lá, as lavouras que foram semeadas primeiro, até devem conseguir alguma produção, com expectativa média entre 50 e 55 sacas por hectare, as intermediárias tiveram dificuldades na formação de espigas e as mais tardias não possuem bons estandes e têm poucos pés.

Já em Cascavel, além da estiagem as geadas também representaram prejuízos ao desenvolvimento das lavouras. O diretor presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, estima que 35% da produtividade esperada entre 100 e 120 sacas por hectare já foi perdida por estes dois eventos climáticos.

No Mato Grosso, principal estado produtor, o Imea reduziu a expectativa de produção de 36 milhões de toneladas para 32 milhões de toneladas e a produtividade média de 109 sacas por hectare para 93,8 sacas. As perdas foram maiores em algumas regiões que sofreram mais com o clima, como a Sudeste, que perdeu 15% da produção em municípios como Primavera do Leste e Rondonópolis.

Já no Mato Grosso do Sul, a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul), por meio do projeto Siga MS, mantém as projeções para esta segunda safra em 9,013 milhões de toneladas após produtividade média de 75 sacas por hectare nos 2,003 milhões de hectares cultivados.

Apesar disso, esses números podem ser revisados para baixo uma vez que a avaliação da entidade para lavouras brasileiras aponta apenas 5% consideradas como boas, 78% como regulares e outros 17% como ruins.

Por Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas - http://tempuri.org/tempuri.html




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