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16/04/2021 - Pecuária

Pasto e gestão nas contas são diferenciais para os ganhos em confinamentos


Não é novidade para ninguém: está tudo caro. Os preços dos animais para reposição seguem em alta e a arroba do boi está valorizada – assim como os insumos para produzi-la, como o milho e o farelo de soja, em uma época de escalada de preços sem precedentes. Os produtos são essenciais para a produção intensiva em confinamentos, no entanto, há espaço para ficar no azul.

“A situação é bastante interessante para quem está fazendo engorda intensiva a pasto ou semiconfinamento”, diz Lygia Pimentel, médica veterinária e diretora executiva da consultoria Agrifatto, de São Paulo (SP).

Segundo a especialista, os produtores com boas condições de pasto estão saindo na frente no quesito alimentação, e, por isso, estão conseguindo margens melhores do negócio. Para ela, a atividade pode gerar boas margens. A prova disso, segundo ela, é a percepção de que há uma entrada de investidores na pecuária, e com olhos voltados especialmente para a exportação.

“Esses investidores, que estão querendo engordar animais em parceria ou começar novas operações, estão enxergando um futuro interessante”, diz Lygia.

Para a consultora, além do pasto, se o produtor apostar fortemente em quatro quesitos básicos na gestão da propriedade, o resultado pode ser até melhor.
  1. Comprar muito bem os animais de reposição;
  2. Se possível, apostar em ganhos de produtividade, para diluir o custo fixo da propriedade;
  3. Estratégia de compras de insumos em maior quantidade, para obter mais descontos;
  4. Lançar mão de seguros de preços de insumos através do mercado futuro.
“Lá atrás, ninguém imaginava que o milho pudesse chegar a casa dos R$ 100 a saca, mas estamos com essa realidade bem próxima. Quando o grão estava cotado em R$ 80, recomendei sua compra, mas ouvi muitos produtores arredios em não pagar por esse preço. Agora, ao que tudo indica, o grão não parece ter limites de preço, por isso é uma grande vantagem travar o preço do grão. Em muitos casos, é até melhor travar o milho do que o preço do boi”, diz Lygia.

Por outro lado, o caminho da balança talvez seja uma redução momentânea de suas operações. Essa é a estratégia do pecuarista mato-grossense Francisco Camacho, proprietário da LFPEC, que possui capacidade estática de 100 mil animais com operações em Mato Grosso, Bahia e São Paulo.

O ano passado foi excepcional para a empresa, que atingiu a marca histórica de 500 mil animais abatidos. Este ano, porém, a tendência é reduzir o abate em 10%, para 450 mil animais, por causa da alta e escassez de insumos para a alimentação do gado.

“Para a operação de São Paulo, os insumos já estão todos comprados, mas para a operação de Mato Grosso, 60% comprado, por isso vamos diminuir um pouco o número de animais”, explica Camacho.

O empresário prevê um segundo semestre positivo para quem tem alimentação para o gado nos estoques. Pois, o que realmente vai faltar é o alimento. De acordo com ele, é esperada um grande volume de animais de reposição para o segundo semestre deste ano.

“O problema do segundo semestre para o confinamento vai ser o insumo para ração, tanto em termos de custo, como de disponibilidade”, diz Camacho.

Outro problema observado pelo produtor é o encarecimento do capital de giro. As operações praticamente dobraram, e isso leva a uso de mais capital. E em épocas de crise, por mais que a atividade seja uma das mais vantajosas comercialmente, está pesando o custo do dinheiro.

Segundo uma pesquisa mensal da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa média de juros sobre capital de giro para empresas, que chegou a cair no decorrer de 2020, voltou a crescer, impulsionada pela Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Em outubro do ano passado, a taxa estava em 0,99% ao mês, agora em março, a média chegou a 1,11% ao mês, segundo a Anefac.

Por Fabio Moitinho
Fonte: Portal DBO - http://tempuri.org/tempuri.html




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