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20/11/2020 - Pecuária

Pecuarista realmente não conhece e nem sabe que pode contratar seguro rural


O número de fazendas na atividade pecuária no Brasil beira a 2,6 milhões de propriedades, segundo o IBGE. Mas sabe quantas delas acessaram o seguro rural, no ano passado? A resposta é 344, segundo dados do Atlas do Seguro Rural, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Nem é preciso fazer conta para dizer que esse número é praticamente beira 0% do total de estabelecimentos de pecuária no País, o que mostra que o mercado de seguradoras possui um mar de oportunidades na bovinocultura de corte. E outro dado importante: há um desconhecimento generalizado dessa ferramenta pelo produtor.

“Quando nós aplicamos um treinamento numa fazenda para falar sobre os produtos de seguros rurais existentes, percebemos que o pecuarista realmente não conhece e nem sabe que pode contratar seguro rural”, diz a engenheira agrônoma Cátia Rucco, superintendente de Seguros Agrícolas da Mapfre.

Cátia e o administrador de empresas, Daniel Kozma, superintendente de Seguros Patrimonial Rural também da Mapfre foram os convidados do programa DBO Entrevista na terça-feira (17/11). Os executivos fazem parte de um movimento que busca inverter esse quadro. Na entrevista eles explicam o bê-á-bá do seguro rural e a importância dessa ferramenta, especialmente para minimizar prejuízos no rebanho ou no patrimônio de máquinas dos fazendeiros.

“É um mercado que tem uma importância significativa e que movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão de prêmio no ano passado”, diz Kozma.

Pecuária
Os números mais modestos da pecuária são devido a dois fatores, segunda a agrônoma. Primeiro, pelo próprio desconhecimento dessa ferramenta financeira por parte dos produtores. Segundo, pelo tempo que o seguro na pecuária de produção está no mercado.

“Se pegarmos os produtos de seguro agrícola, estamos falando de um mercado de aproximadamente 15 anos no País. Quando falamos do ramo de pecuária, é mais novo ainda: aproximadamente cinco anos. Isso faz com que a maioria dos produtores, realmente, não conheçam direito o seguro rural”, diz Cátia.

Para a pecuária, são cobertas apólices de indenizações em caso de morte do animal, como por exemplo doenças não epidêmicas, raio, intoxicação e picada de cobra. De acordo com a especialista, dar todas as informações de rebanho e com valores precisos vão levar a uma maior clareza dos riscos e influir numa apólice mais barata.

Na casa do bilhão
O mercado de seguro rural no Brasil surge, de fato, desde que o governo federal instituiu o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). É justamente o PSR que torna a contratação de apólices mais baratas no País, pois permite que o governo possa custear de 20% a 40% dessa conta. A pecuária se beneficia com um subsídio de 40% e um teto anual de R$ 24 mil.

Isso significa que se um pecuarista contratar uma apólice com o teto máximo de R$ 24 mil, ele paga somente R$ 14,4 mil e o governo arca com os R$ 9,6 mil restantes. Mas tudo isso dependerá de análise do próprio Mapa, que avalia caso a caso os pedidos de subvenção de acordo com a região e a atividade do produtor.

É um mercado que vem crescendo, inclusive com um poder de subvenção maior. No ano passado, o governo pagou R$ 440 milhões e para este ano são R$ 1,3 bilhão destinados a baratear o seguro com os produtores. No ano passado, a subvenção ajudou cerca de 57,5 mil produtores, assegurando uma área total de 7 mil hectares, segundo o Mapa. No acumulado deste ano, já foram 104,6 mil produtores, dos quais 1.121 são da pecuária.

Entenda alguns termos

O que é prêmio?
É o valor pago pelo produtor para a seguradora na contratação da apólice de seguro. O valor do seguro cobrado pela seguradora está associado ao risco coberto, que depende de diversos fatores, como práticas culturais ou sistemas de produção utilizados, localização e as condições edafoclimáticas da região.

O que é subvenção?
Valor concedido pelo Governo Federal para o produtor, por meio de uma seguradora, para a contratação de uma apólice de seguro. É calculada como um percentual sobre o valor do prêmio.

Máquinas e equipamentos
Mas, para contratar seguro máquinas e equipamentos não tem jeito. Nesse caso  não há rateio com o governo:  o seguro é pago 100% pelo produtor.  Porque é um tipo de seguro para a proteção de um bem muito valioso, como  colheitadeiras e tratores que podem alcançar valores de até R$ 5 milhões.

“A exposição de risco de um produtor, no caso de máquinas agrícolas, só para se ter uma ideia, pode superar R$ 36 bilhões. O produtor está cada vez mais profissional e o que percebemos é o nível de preocupação com a atividade e sua permanência nela, por isso eles têm optado por fazer esse tipo de seguro”, diz Daniel Kozma.

Confira na íntegra a entrevista: http://tempuri.org/tempuri.html

Por Fabio Moitinho
Fonte: Portal DBO - http://tempuri.org/tempuri.html




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