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12/02/2021 - Pecuária

Pecuarista supera desafios no TO e quer expandir produção para 120 mil bois por ano


Como quase toda história de sucesso, a trajetória do empresário José Eduardo Motta, está repleta de mudanças de rota proporcionadas por decisões arrojadas. O empreendedor, CEO da AGROJEM, que mais recentemente incorporou atividades de engorda de gado, tem agora o projeto ambicioso de dobrar sua produção de carne bovina, saindo do abate anual de 60.000 para 120.000 cabeças. Nesta quinta, dia 11, o Giro do Boi detalhou esse projeto e relembrou momentos marcantes desta linha do tempo em entrevista com o próprio José Eduardo.

“Eu praticamente nasci dentro do agronegócio, não exatamente na produção primária. A gente veio do setor de fertilizantes e fundamos a Fertilizantes Tocantins lá no começo dos anos 2000, em 2003. E eu sempre tive paixão pela cria. Na verdade, eu nunca imaginei que eu ia me tornar um invernista, um confinador porque minha paixão era criar, tanto que nós começamos com a pecuária seletiva lá nos idos de 2008, quando começou o Nelore JEM, pensando em criar. […] Como o objetivo nosso era criar gado, nós começamos com o Nelore JEM, que a gente tem até hoje, para ajudar a melhorar o gado do Tocantins, fazer genética”, contou.

A introdução do grupo no setor da engorda ocorreu um pouco mais tarde para que o negócio da pecuária de corte ganhasse volume. “Fazer escala com a pecuária de cria é muito difícil. Foi quando a gente entrou na recria e terminação. Em 2015 foi o primeiro ano que a gente confinou. A gente viu que poderia fazer as duas coisas. […] Então hoje a gente está com o Nelore JEM entregando genética para os nossos parceiros, parceiros esses que produzem bezerros. E nós até temos a nossa cria, mas a nossa cria não consegue abastecer o nosso volume. São 60.000 bezerros que a gente compra todo ano. E agora nós vamos para 120.000 bezerros”, anunciou o empresário.

Mas a missão, como bem sabe José Eduardo, é ambiciosa e apresenta suas dificuldade. “A pecuária tem um ciclo mais longo. Para você melhorar um gado demora. Então esse é um trabalho dos nossos parceiros, que nos fornecem os bezerros, a gente tem uma parte dessa produção própria de cria, mas realmente a maior parte do nosso suprimento de bezerro vem das nossas parcerias que nós temos no estado. É um projeto muito arrojado. A gente já está produzindo 60.000 bois, entregando para o frigorífico, e vamos começar agora uma nova planta (de confinamento) em Miranorte (Tocantins) para engordar mais 60.000 bois”, detalhou.

Ao todo, o grupo é composto pelas propriedades Fazenda São Geraldo, entre Caseara e Marianópolis do Tocantins; Fazenda Bacaba, em Miranorte; Fazenda Céu Azul, em Divinópolis do Tocantins; Fazenda Surubim, de cria, em Porto Nacional; e Fazenda Terra Boa, de recria, em Almas, todas no estado do Tocantins.

Além do desafio do volume de bezerros de reposição, outro obstáculo que o empresário deverá enfrentar é a estrutura do estado ainda em formação, cujas fronteiras agrícolas ainda estão sendo conhecidas. “Tocantins é uma nova fronteira, não é um estado já maduro, como o Mato Grosso, então é algo ainda mais difícil. Eu cheguei aqui em 2003 para montar a indústria de fertilizante. e em 2008 quando eu comecei o projeto da AGROJEM foi tudo muito difícil. Não é um local como São Paulo, Goiás, o próprio Mato Grosso hoje. Hoje somos fornecedores dos frigoríficos e o frigorífico é uma indústria que precisa de quantidade e regularidade porque o supermercado vende carne todo dia, não vende carne só nas águas. […] A gente tem que vender boi o ano inteiro e se propôs a fazer isso. Então a gente engorda nas águas e na seca em um projeto em que eu produzo a minha própria comida. As fazendas têm agricultura, tem toda a produção interna de alimento para o gado. A gente controla nossos custos, traz regularidade para o frigorífico e traz qualidade. A nossa tipificação de carcaça hoje é de 90% a 92% do gado no padrão China. Isso dá um conforto para a indústria para poder assumir seus contratos. Nosso negócio é produzir, então a gente produz e tem que ter parceria com o frigorífico”, valorizou.

A qualidade da carne produzida é impulsionada pela genética do criatório e que viabiliza a terminação de animais cada vez mais precoces. “Dentro do Nelore JEM, […] a gente oferta entre 400 e 500 touros ao mercado exatamente para ter o bezerro de qualidade, esse boi que eu vou conseguir abater antes dos 30 meses, que seria padrão China, até 2 dentes. Não adiantava chegar até aqui, por exemplo, para comprar a comida do gado. Não adiantava chegar aqui sem oferecer genética. Então a gente oferece genética, a gente também é comprador dessa genética do bezerro e a gente produz a própria comida, que é toda integrada”, ponderou.

No projeto ousado para dobrar a produção anual de gado gordo, José Eduardo buscou a diluição dos riscos inerentes à pecuária intensiva apostando na oferta de genética para os criadores e da produção dos próprios insumos para o confinamento, como também cuida da sustentabilidade dos sistemas produtivos, conforme reforçou em entrevista.

“Você tem que ter uma integração. Nós temos em nosso projeto […] um investimento em lagoas de decantação que é modelo no Brasil, inclusive a Embrapa está observando. Toda a nossa compostagem de resíduo sólido é processada dentro da propriedade e retorna para a agricultura. Nós tratamos no ano passado 16 mil toneladas de resíduos sólidos que retornaram para a agricultura e esse ano nós vamos fazer 26 mil toneladas, que vamos consumir na própria propriedade. Produzindo soja, milho e silagem, reduzindo eventualmente o consumo de fosfato químico, fazendo o nosso próprio organomineral com resíduos da própria operação”, destacou.

“Essas lagoas […] vídeo vão irrigar uma área de 100 hectares de pastejo rotacionado em volta do confinamento. Você trata os resíduos, não deixa eles voltarem para contaminar a natureza. Você tem que ter uma preocupação ambiental muito forte, tem que ter sustentabilidade”, reafirmou.

Apesar das iniciativas sustentáveis como esta serem cada vez mais comuns no Brasil em diversos projetos de pecuária do espalhados pelo País, Motta acredita que o setor ainda falhe em comunicar suas qualidades com a sociedade. “A gente tem esse papel, a gente tem que se comunicar melhor. Talvez a gente não se comunique tão bem. […] A gente vende carne para o consumidor final, então você tem que se comunicar bem. O pecuarista é um empresário sério. Em todo segmento, você às vezes tem empresários que não agem bem, mas o que o pecuarista faz no campo, o nosso trabalho, todo mundo trabalha sério e, além disso, emprega muita gente. Nós, por exemplo, temos 430 funcionários na empresa e quase mil funcionários indiretos. […] Então a gente precisa melhorar um pouco mais, mostrar realmente que pode ter uma ou outra situação que foge à regra, mas na sua maioria todos nós fazemos um trabalho respeitando o meio ambiente”, sugeriu.

Motta ilustrou a sustentabilidade da atividade com a preservação ambiental em suas propriedades no Tocantins. “Hoje nós temos 50 mil hectares de área total no grupo e a gente explora 25 mil. A gente explora 50% e os outros 50% são ou Área de Preservação Permanente (APP) ou Reserva Legal, que servem para compensações ambientais previstas em lei. Todo fazendeiro respeita isso hoje. Os fazendeiros têm hoje uma gerência ambiental dentro da fazenda só para cuidar dos aspectos regulatórios”, acrescentou.

Para José Eduardo, o setor também deve mostrar que está deixando o amadorismo da sua produção para trás. “Hoje a gente não tem na fazenda uma empresa de fundo de quintal. A gente tem uma empresa moderna. Hoje o fazendeiro é um sujeito da tecnologia. Por exemplo, o meu bezerro, quando chega na recria recebe um chip pelo a gente tem um histórico de todo acompanhamento da lida, desde aquela medicação que ele tomou no primeiro dia que ele entrou na propriedade até o dia que ele vai para o frigorífico. É um nível tecnológico que hoje não perde para nenhuma outra atividade, até porque quem não está neste nível tecnológico está saindo do mercado”, observou.

José Eduardo comentou ainda que o nível de exigência em gestão e tecnologia da pecuária está fazendo até com que empresários de outros setores passem por dificuldades para serem produtivos como criadores de gado. “A pecuária exige tanta tecnologia quanto a agricultura. Nós hoje estamos buscando muito mais tecnologia até na nossa pecuária do que na nossa agricultura. Com telemetria, com acompanhamento via chip, é tudo automatizado. […] Seja na agricultura ou na pecuária, não tem mais espaço para você não ter tecnologia de ponta. Os fazendeiros hoje estão tecnificados, são empresários mesmo de altíssimo nível. Eu mesmo, que venho da indústria (de fertilizantes), estou pedalando para poder acompanhar o nível de tecnologia que tem que ter hoje para produzir carne para o mundo inteiro. […] Mas não tem jeito, não. Nós (Brasil) vamos ser dominantes como já somos, vamos nos fortalecer mais ainda na produção de proteína vegetal e animal para o mundo, alimentar quem precisa de comida barata. A Ásia precisa de comida barata, a África precisa de comida barata e nós vamos produzir aqui no Brasil”, projetou o empresário.

Fonte: Giro do Boi/Canal Rural - http://tempuri.org/tempuri.html





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