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04/12/2020 - Outros

PIB do agro perde força, e incertezas para 2021 aumentam


A agropecuária perdeu força neste terceiro trimestre, em relação ao segundo. Ao contrário do que vinha ocorrendo nos trimestres anteriores, quando era o único setor a crescer, desta vez, foi o único a recuar.

O recuo de 0,5% não é preocupante. É um período tradicionalmente de menor força do setor, uma vez que as colheitas de maior importância ocorrem no primeiro semestre. No terceiro trimestre do ano passado, a alta havia sido de apenas 0,4%.

A preocupação fica para 2021. As estimativas de produção ainda são boas. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê uma safra de 269 milhões de toneladas de grãos, após o recorde de 257 milhões neste ano.

O problema é que a evolução da safra do próximo ano está baseada em soja e milho, produtos que respondem por 89% do que será produzido no país. Qualquer desvio de rota nessas produções é preocupante.

E motivos não faltam. O clima quente, provocado pela redução de chuvas, devido ao efeito do La Niña, obriga parte dos produtores a refazer o plantio de soja. Esse atraso pode fazer o produtor perder o melhor momento de semear o milho, que vem na sequência.

Nos cálculos da Conab, soja e milho deverão atingir a marca de 240 milhões de toneladas na safra 2020/21. Esses números consideram boa produtividade e condições adequadas do clima. Qualquer cenário fora dessa expectativa vai afetar a produção.

A produção de proteínas também não terá muito espaço para crescer. A pecuária tem dificuldades na reposição de animais, após uma aceleração da produção e aumento das exportações desde o final de 2019.

O setor de suinocultura e o de avicultura dependem, em boa parte, das exportações. Internamente vão ter o desafio dos custos de produção e das incertezas do consumo.

No caso dos custos, os preços elevados dos insumos utilizados na produção de ração, como os da soja e os do milho, forçam uma elevação dos preços dos produtos, tanto para a exportação como para o consumo interno.

Já a resposta do consumo interno vai depender da evolução do coronavírus e de como o governo vai administrar uma possível continuidade do auxílio emergencial. Sem este, e com o desemprego elevado, o consumo retrai. O reflexo disso chega também ao campo, interferindo na decisão de produção dos produtores de grãos e de proteínas.

Essas incertezas do próximo ano já fazem com que algumas previsões para o PIB da agropecuária de 2021 não sejam tão animadoras como eram antes. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) já reduziu suas estimativas de 2,1% para 1,2%.

Avaliando a divulgação desta quinta-feira (3) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia), os dados mostram que, mesmo com a queda de 0,5% no terceiro trimestre, em relação ao segundo, a agropecuária ainda mantém taxas positivas.

O acumulado do ano é de um crescimento de 2,4%, em relação a igual período do ano passado. No terceiro trimestre, quando o setor adicionou R$ 105,5 bilhões ao PIB, a evolução foi de 0,4% em relação a igual período de 2019.

O Valor Adicionado Bruto é o quanto a atividade agrega aos bens e serviços consumidos no processo produtivo. É a contribuição ao produto interno bruto, obtida pela diferença entre o valor de produção e o consumo intermediário absorvido pela atividade.

A evolução do PIB da agropecuária ocorre devido a um volume maior de produção e a um crescimento na produtividade. Café e cana-de-açúcar impediram uma queda maior dá taxa no trimestre passado.

A produção de café teve aumento de 22%, devido à bienalidade –em um ano a safra é boa, mas no seguinte, com o estresse das plantas, a produção cai. É o que deverá ocorrer na safra de 2021.

O desempenho da cana também foi favorável ao PIB no trimestre passado. Além de uma antecipação da safra, devido ao clima quente, a produtividade industrial da matéria-prima está elevada.

O setor de proteínas não cooperou muito com o desempenho da agropecuária no trimestre passado. Os abates de bovinos e a captação de leite recuaram. Já a suinocultura e a avicultura tiveram aumento de produção. A queda nos abates da bovinocultura foi de 11%.

Por Mauro Zafalon/Vaivém das Commodities
Fonte: Folha de S.Paulo - http://tempuri.org/tempuri.html




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