Notícias

25/10/2021 - Mercado

Por que a queda no ritmo de crescimento da China já preocupa o Brasil


Nenhum país do mundo experimentou uma transformação tão radical nos últimos anos quanto a China. Com uma receita robusta de exportações de bens manufaturados, o país se tornou a segunda maior economia do planeta, permitindo vertiginosos crescimentos anuais nas últimas quatro décadas. Cidades inteiras surgiram. Quase 10% da população vive como milionária. Além da produção de gadgets criados em outras nações, os chineses hoje estão na briga pela liderança tecnológica em diversas áreas. 

Muito da energia dessa locomotiva que parecia irrefreável veio de gastos governamentais massivos e dívidas monumentais que foram criando distorções preocupantes para o governo do Partido Comunista. Uma quebradeira geral, em um sistema financeiro baseado em quatro bancos estatais, poderia provocar um colapso na economia. Para mitigar esse risco, bem conhecido dos líderes locais, o governo de Xi Jinping decidiu implementar um plano de crescimento sustentável batizado de “prosperidade comum”, baseado no incentivo ao consumo interno e no combate às desigualdades.

Tudo caminhava bem até que veio a pandemia. Em razão dos efeitos da Covid-19, com as pessoas dentro de casa, o PIB chinês cresceu em 2020 apenas 2,3%, muito pouco para os padrões do país. Já, para este ano, a retomada está sendo revisada para baixo, depois de a China anunciar um crescimento de 4,9%, no terceiro trimestre, ante o mesmo período do ano passado, e de apenas 0,2% em relação ao trimestre anterior. 

Com isso, a projeção do PIB de 2021 baixou de 8% para 7,7%, segundo o Bank of America. Ainda que sejam cifras de dar inveja a muitos países emergentes, elas estão distantes do ritmo chinês. “Essa desaceleração já era esperada mas terá impacto a médio e longo prazo. A grande questão é qual será efetivamente a desaceleração que o governo chinês está disposto a tolerar para ajustar a economia”, avalia Marcos Caramuru, ex-­embaixador do Brasil no país.

Algumas causas para a queda de ritmo geram grande temor — e podem sair do controle. O setor imobiliário, que vinha sendo responsável por movimentar 30% do PIB, passa por uma diminuição de lançamentos e uma luta para acabar com o endividamento excessivo que era incentivado no passado — o caso da Evergrande, que enfrenta a possibilidade de uma falência, continua a ser um exemplo preocupante. “Dependendo do aperto regulatório imobiliário necessário, 2022 também pode ter um crescimento modesto, na faixa de 5% a 6%, com uma aceleração começando em 2023”, diz Albert Keidel, professor na Universidade George Washington e ex-economista do Banco Mundial.

Continue lendo AQUI

Por Luana Meneghetti e Luisa Purchio
Fonte: Veja




Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.