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08/06/2021 - Pecuária

Preço da carne bovina recua pela primeira vez em 2021


O levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) constatou que após atingir em abril as cotações máximas nominais da série histórica, os preços da carne bovina recuaram ao longo de maio no mercado atacadista da Grande São Paulo.

Segundo o Cepea, no dia 31 de maio, a carcaça casada bovina foi negociada a R$ 19,80/kg, à vista, acumulando queda de 2,65% frente à média verificada no dia 30 de abril. Foi a primeira queda no acumulado de um mês neste ano. Em janeiro a valorização foi de 5,63%, em fevereiro de 1,1%, em março de 3,77% e em abril de 1,35%.

Os pesquisadores do Cepea explicam que “a pressão veio da demanda interna bastante enfraquecida, tendo em vista o atual contexto econômico, o desemprego elevado e o consequente poder de compra fragilizado da maior parte da população brasileira. Além disso, os preços competitivos das principais carnes concorrentes, a suína e avícola, reforçaram a menor procura pela proteína bovina”.

Agentes de frigoríficos consultados pelos pesquisadores do Cepea relataram dificuldades para vender a carne bovina nos atuais patamares. “Enquanto as unidades de abate que habilitadas a exportar acabam tendo as vendas internacionais como válvula de escape – favorecidas especialmente pelo dólar elevado e pela demanda externa aquecida –, as que trabalham apenas com o mercado brasileiro relataram estar com as margens apertadas.”

Eles observam que os frigoríficos evitaram ao máximo conceder novos reajustes positivos nos preços de compra de animais para abate em maio. “Pontualmente, muitos tiveram sucesso, tendo em vista que a arroba bovina chegou a se enfraquecer e a ser negociada a pouco mais de R$ 300,00 em alguns momentos de maio.”

No dia 31 de maio, o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (à vista, estado de São Paulo) fechou a R$ 316,15, acumulando pequeno avanço de 1% frente ao encerramento de abril.

O estudo do Cepea constatou que no campo muitos pecuaristas se mantiveram firmes nos preços pedidos por novos lotes, fundamentados especialmente nos elevados custos de produção. A reposição continua sendo comercializada em patamares bastante elevados e os insumos de alimentação, apesar de terem registrado pequenas quedas no final de maio, ainda operam em patamares altos. O Indicador do bezerro ESALQ/BM&FBovespa (animal nelore, de 8 a 12 meses, Mato Grosso do Sul) fechou a R$ 3.206,60 no dia 31 de maio, com elevação de 1,11% no acumulado do mês.

Os pesquisadores citam os dados divulgados em maio pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que confirmam o cenário de disponibilidade reduzida de animais no mercado brasileiro. A quantidade de animais abatidos de janeiro a março somou 6,64 milhões, 9,71% a menos que no trimestre anterior e 10,08% inferior à do primeiro trimestre de 2020. O volume foi o menor paro período em doze anos.

Os pesquisadores explicam que o menor volume abatido pode estar atrelado à retenção de fêmeas por parte de muitos pecuaristas, no intuito de gerar animais para reposição. “Aqui ressalta-se que os preços do bezerro e do boi magro operaram em patamares recordes reais no primeiro trimestre de 2021.”

Fonte: Globo Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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