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11/12/2020 - Milho

Primeira safra do milho já perdeu potencial produtivo, diz Conab


Milho e clima foram os grandes destaques do terceiro levantamento de safra apresentado ontem (10/12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o primeiro apresentado na gestão de José Samuel Miranda de Melo Júnior, que assumiu o órgão na última semana, em substituição a Guilherme Bastos, exonerado após oito meses.

O novo presidente abriu o encontro afirmando que a produção esperada de grãos, apesar da queda de 4% em relação à estimativa anterior, será recorde. Ele creditou a redução aos problemas com a safra de milho na Região Sul, impactada pela seca. A projeção agora é de 265,9 milhões de toneladas de grãos, 3 milhões a menos do que no levantamento anterior. “Já a soja e arroz não foram impactados”, disse Melo Júnior, que falou 3 minutos e 4 segundos no total e depois foi saudado discretamente por todos os palestrantes.

Coube a Silvio Farnese, diretor de comercialização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sinalizar que essa expectativa da produção de grãos também pode não se confirmar. Nova estimativa sai em 13 de janeiro. “Será uma produção boa o suficiente para atender a demanda interna e as exportações.”

O grande problema deve ser a primeira safra de milho. Com estimativa de queda de 5,8% na produção, 2,1% na área e 3,8% na produtividade, o grão já teve seu potencial produtivo reduzido, segundo Cleverton Santana, superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, após três meses de chuvas abaixo da média. “O armazenamento hídrico melhorou em novembro, mas a umidade segue abaixo do ideal, especialmente no Rio Grande do Sul.” O Estado é o sexto maior produtor de milho do país.

Considerando as duas safras do grão, a estimativa da Conab é de uma produção de 102,58 milhões de toneladas, alta de apenas 0,1% em relação à safra 2019/20 e bem inferior ao aumento de 4,6% projetado no consumo. Neste ano, o preço do milho teve uma variação de 123% devido à alta da demanda interna do setor de proteína animal, à elevação das paridades do câmbio e às exportações. Segundo Sergio Santos, superintendente substituto de Gestão de Oferta da Conab, recentemente houve um aumento da oferta do milho no mercado interno causado pela necessidade de abrir espaço para armazenagem da nova safra.

Soja
Já a soja continua com viés de alta, com produção recorde estimada de 134,4 milhões de toneladas (7,7% maior que a safra anterior), apesar dos atrasos iniciais no plantio causados também pela falta de umidade no solo. “A partir de novembro, os produtores recuperaram o atraso. Em uma única semana, de 3 a 9 de novembro, 20% da área total de soja no país foi semeada. Se houver normalidade climática nas próximas semanas, a produtividade pode ser recuperada”, diz Santana, acrescentando que o plantio já atingiu 93% da área projetada de 38,17 milhões de hectares, uma alta de 3,3% em relação à safra anterior. A produtividade estimada de 3.522 kg por hectare (58,7 sacas), a maior da série histórica, representa um crescimento de 4,2%.

Souza apontou uma alta de 123% nos preços da soja neste ano, mas destacou uma retração nos preços internos nas últimas semanas devido à valorização do real, à proximidade da nova colheita e as incertezas sobre a continuidade da guerra comercial entre EUA e China. As perspectivas de exportação para 2021 também são recordes, com 85,5 milhões de toneladas, alta de 2,2%. Já a disponibilidade interna do grão deve se manter reduzida no próximo ano.

Além do milho, uma cultura em queda na análise da Conab é a do algodão, que deve perder 8,5% da área, 11% na produção e 3,2% na produtividade. O consumo interno, no entanto, afetado neste ano pela pandemia, deve se recuperar com o retorno das atividades das indústrias e subir 19%. Para as exportações, a estimativa é de uma leve alta de 0,5% em relação ao recorde de 2 milhões que deve ser alcançado neste ano.

As perspectivas no próximo ano para o arroz, que registrou disparada de preços na pandemia com o aumento do consumo nas residências e produção abaixo do esperado devido à restrição hídrica no Rio Grande do Sul, são de queda de 2% na produção e aumento de 1% no consumo.

Previsão do tempo
Para a próxima semana, a Conab estima a ocorrência de chuvas ainda sem o volume necessário na região Sul e em parte do Mato Grosso do Sul, regiões afetadas pela estiagem prolongada. No sul do Rio Grande do Sul, no entanto, o volume será maior, beneficiando as culturas do arroz e milho. Já na faixa que se estende de Rondônia até Goiás, a previsão é de muita precipitação. “Na região do Matopiba, a chuva também está chegando na próxima semana”, diz Santana.

Por Eliane Silva
Fonte: Globo Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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