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14/12/2020 - Outros

Rabobank faz investida em cooperativas do agro


O Rabobank está ampliando sua atuação com grandes cooperativas agropecuárias do País. Com a taxa Selic baixa, que torna competitivas linhas a taxas de juros não subsidiadas, o banco holandês tem respondido à solicitação de mais crédito feita pelo setor, que fatura bilhões por ano. Em 2020, dobrou a carteira de operações com cooperativas – o valor não é divulgado. A instituição atende entre 15 e 20 grandes grupos, e a meta é ampliar para 25 a 30 em até três anos, conta Ana Beatriz Passos, gerente de relacionamento contratada para cuidar desse segmento. As áreas de Consultoria e M&A (fusões e aquisições) também reforçaram as atenções ao setor. “Estávamos com posição tímida com as cooperativas”, diz Fabiana Alves, diretora executiva de Corporate do Rabobank Brasil. 

Olha além
A área de consultoria do banco vem enfatizando junto às cooperativas a necessidade de mudar para acompanhar tendências de consumo e aumentar transparência e eficiência. Digitalização em larga escala, rastreabilidade, mix de cooperados e profissionais do mercado na gestão e parcerias entre cooperativas são alguns conceitos. “É o ditado: o mundo mudou muito e o que nos trouxe até aqui talvez não seja o que nos levará para frente”, pondera Fabiana.

Avante
A carteira em dólar do Rabobank aumentou cerca de 10% neste ano. Sem abrir o valor, Fabiana atribui o desempenho ao “momento positivo” do agro. Cooperativas, tradings, empresas e grandes produtores buscaram recursos para antecipar a compra de commodities e insumos, aproveitando os bons preços dos grãos e a demanda externa.

Chega mais
O BNDES também tem feito outras investidas no agro, mas sobre associações de empresas de maquinário. Na última quinzena, duas reuniões foram realizadas com as principais representantes do segmento, Anfavea e Abimaq, para divulgar o programa BNDES Crédito Rural, que oferece recursos próprios do banco a taxas de mercado como complemento ao crédito com taxas subsidiadas pelo governo, do Plano Safra. Tais linhas, das quais a indústria de máquinas ainda depende bastante, estão quase esgotadas.

Feito aqui
A usina de açúcar e álcool São Manoel, do município de mesmo nome do interior paulista, está investindo na FieldPRO, startup com soluções para monitoramento do clima, solo e lavouras. Em troca, a agtech está desenvolvendo sensores específicos para canaviais. A FieldPRO tem mais de 25 investidores – entre eles ex-executivos da Monsanto e da Kepler Weber – que aportaram em torno de R$ 10 milhões. O valor investido pela São Manoel não foi informado.

Longo caminho
Ricardo Sodré, CEO da FieldPRO, conta que a startup decidiu desenvolver seu próprio sensor, pois estações meteorológicas não ofereciam a conectividade necessária, nem o monitoramento do solo em área específica, entre outras limitações. O dispositivo da FieldPRO é portátil, se conecta com 2G, 3G, wi-fi e rádio frequência e monitora 19 variáveis. Estão sendo instalados 630 deles no Paraná em parceria com cooperativas. Até 2025, deverão ser 60 mil no País – que tem apenas mil estações instaladas, ante 24 mil dos Estados Unidos.

Sustentável
A empresa Produzindo Certo deve ter em dois anos 7,6 mil fazendas cadastradas em sua plataforma, ante as 1,6 mil atuais. Criada a partir de trabalho desenvolvido pela ONG Aliança da Terra, ela produz diagnósticos socioambientais de propriedades rurais com base em mais de 70 indicadores ancorados na legislação brasileira. A plataforma já cobre 6 milhões de hectares, e o plano é chegar a 7,5 milhões até o fim de 2022.

Ganhos
Em sua base de clientes na Amazônia e no Cerrado, a Produzindo Certo detectou uma média de 3,2 vezes menos ocorrências de desmatamento ilegal ante outras fazendas dos mesmos biomas. Para Charton Locks, diretor de Operações, além da assistência sobre práticas sustentáveis, estimulam a conservação prêmios, mesmo que pequenos, recebidos por produtores na venda para indústrias, tradings e varejo. “Tudo isso é um incentivo para optar por parar o desmatamento.”

Alerta
A fumonisina, substância tóxica produzida por um fungo, é a maior ameaça para a qualidade da ração na América do Sul, aponta pesquisa da Biomin. A empresa de nutrição animal faz levantamentos diários de contaminação por micotoxinas a partir de amostras enviadas pelos clientes. Segundo Tiago Birro, gerente de produto da Biomin para América Latina, a fumonisina prejudica o sistema imunológico dos animais e pode torná-los mais suscetíveis a doenças. Na pesquisa, a substância foi detectada em 69% das 5.485 amostras analisadas de grãos, subprodutos e ração em 2020.

Tecnologia
A empresa criou uma ferramenta para calcular o grau aproximado de contaminação por micotoxinas no milho e trigo por meio de algoritmos, atualizados com informações de estações meteorológicas e da base de dados de contaminações prévias em cada região. 

Por Clarice Couto e Leticia Pakulski
Fonte: Coluna Broadcast Agro / O Estado de S.Paulo -  http://tempuri.org/tempuri.html




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