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03/12/2020 - Algodão

Recorde de embarques mostra capacidade do país


As exportações de algodão do Brasil ganharam tração em novembro e atingiram novo recorde para um único mês, 333,29 mil toneladas, e o volume embarcado em dezembro pode superar 260 mil toneladas, projetou o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Henrique Snitcovski. Antes do mês passado, o maior volume exportado da pluma em um único mês havia sido de 309 mil toneladas em janeiro deste ano.

"É um número espetacular para o Brasil", disse Snitcovski. "O País mostra ao mercado lá fora que consegue embarcar um volume substancial e que vai deixar de ser um exportador sazonal para se tornar um exportador em 12 meses." Conforme o representante, do lado comercial, o recorde se deve a três fatores. "O Brasil está embarcando algodão da safra nova que já estava vendido, algodão da safra velha que deixou de ser embarcado de abril a junho por causa da pandemia e foi postergado para o segundo semestre deste ano, e novas vendas da safra nova feitas para os principais mercados consumidores", disse o representante.

Já do lado operacional houve aumento de capacidade logística em novembro, seguindo uma tendência de recuperação iniciada em outubro. "Tivemos mais contêineres, linhas e navios disponíveis para podermos embarcar algodão e atingir esse número", afirmou. "É o que chamamos de extra loader. São linhas adicionais que carregam outras coisas, não só algodão, mas que aumentam a capacidade de embarque do Brasil."

Segundo Snitcovski, a cadeia tem feito um trabalho de convencimento de importadores de que o País tem capacidade de continuar abastecendo o mercado externo mesmo no primeiro semestre, período em que os embarques costumavam ser menores devido à entressafra, e incentivado as compras com antecedência. "De janeiro a junho a gente compete diretamente com a safra do Hemisfério Norte, com as produções da China, da Índia e dos Estados Unidos", disse. "Mas, se a gente tiver capacidade de competir por igual, e a gente tem, é um plus para o Brasil. O mercado internacional questionava se o Brasil conseguiria embarcar um volume desses, de mais de 300 mil toneladas. E está entregue mais uma vez."

Ainda conforme o presidente da Anea, estavam previstos inicialmente embarques de 350 mil toneladas de algodão em novembro. "Mas no finzinho do mês aconteceram algumas rolagens de navio, e esse volume reprimido vai embarcar em dezembro", afirmou. "Para dezembro, temos a expectativa de ser um mês forte para as exportações brasileiras de algodão." A Anea prevê em torno de 260 mil toneladas exportadas no mês que vem. "Dependendo como for o embarque na primeira quinzena de dezembro, o número pode ser maior, até por causa dessa rolagem no fim de novembro. Por outro lado, dezembro tem os feriados de Natal e ano-novo, e isso às vezes complica os processos e um pouco do volume fica para janeiro por consequência. Ainda estamos conservadores, mas com o viés de que o número pode ser melhor do que a gente espera."

De julho a novembro o Brasil já exportou 920 mil toneladas, superando as 801 mil de igual intervalo do ano passado, segundo o presidente da Anea. Os embarques foram crescendo paulatinamente desde julho, quando o Brasil exportou 77 mil toneladas, passando a 109 mil toneladas em agosto, 159 mil toneladas em setembro e 241 mil toneladas em outubro, conforme a associação. "Começou mesmo a recuperar em outubro. As atividades das fábricas nos principais mercados consumidores voltaram a operar com capacidade mais ampla", disse. "E a nossa capacidade de embarque no Brasil também estava reduzida para os meses de julho, agosto e setembro por problemas de disponibilidade de contêineres, e essa capacidade foi equalizada e melhorada no fim de outubro, em novembro e para o mês de dezembro vai continuar assim."

Conforme Snitcovski, é possível perceber uma retomada "mais rápida" da demanda mundial por algodão do que o setor previa quando "estava no olho do furacão" da pandemia, no primeiro e segundo trimestres. "A previsão de consumo chegou a cair muito. A gente se questionava quanto tempo ia demorar para recuperar a demanda, e agora estamos vendo que ela está sendo recuperada", disse. "É lógico que daqui para frente existe preocupação com elevação dos casos (de covid-19), possíveis medidas mais severas que possam afetar o fluxo do comércio e causar o fechamento de atividades industriais em vários países. Mas, se tiver um bom equilíbrio, acreditamos que a demanda daqui para frente vai se recompor e voltar aos níveis em que estava no pré-pandemia."

A Anea prevê que o Brasil deve exportar na atual temporada, que vai de julho deste ano a junho do ano que vem, 2,15 milhões de toneladas, superando o 1,913 milhão de toneladas do intervalo anterior. "É um aumento de quase 250 mil toneladas ano a ano, reflexo do volume que ficou atrasado de abril, maio e junho da safra velha e vai ser embarcado na safra nova e de novos negócios que o Brasil está fazendo lá fora", disse Snitcovski. "Isso mostra que o País tem qualidade, credibilidade e está realmente se posicionando com um player importante, o segundo maior exportador do mundo de algodão."

Por Leticia Pakulski
Fonte: Broadcast Agro - http://tempuri.org/tempuri.html




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