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28/05/2021 - Pecuária

Setor pecuário comemora status conferido pela OIE, mas se preocupa com vigilância sanitária


O novo status sanitário de parte do País em relação à febre aftosa confirmado ontem (27/5) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) animou produtores e associações do setor em relação à possibilidade de abertura de valorizados mercados à carne bovina brasileira. Mas a preocupação, a partir de agora, também permeou as notas das entidades do agro, principalmente no sentido de não baixar a guarda da vigilância sanitária, sobretudo nas áreas de fronteira seca no País, que são imensas.

A OIE declarou Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e parte do Amazonas e de Mato Grosso como "áreas livres de aftosa, sem vacinação". Ou seja, essas unidades da Federação não precisarão mais vacinar os rebanhos contra a doença e também não poderão, por exemplo, receber bovinos vacinados em seus territórios. Até então, apenas Santa Catarina detinha este status, que agora se estende a mais regiões do País.

No Rio Grande do Sul, o reconhecimento foi celebrado pelo presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês (Gadolando), Marcos Tang. "É uma agropecuária madura que representa muito para o Estado, para o País e para o mundo. Claro que esperamos que os governos mantenham uma vigilância rígida sobre nossas fronteiras, haja vista que temos fronteiras enormes com outros países", destacou, em nota.

Por outro lado, como o Estado vizinho, Santa Catarina, já tinha o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, ele avalia que "uma nova relação comercial pode se desenvolver entre produtores gaúchos e catarinenses, especialmente entre os que fazem comercialização de matrizes (vacas reprodutoras)".

A Associação Brasileira de Angus (ABA) também reforçou, em nota, a necessidade de manutenção dos cuidados sanitários. De acordo com a ABA, produtores e órgãos públicos devem compartilhar a tarefa de zelar pela segurança dos plantéis e pelo potencial genético acumulado em décadas de melhoramento, "e uma vigilância eficaz será primordial para que o Brasil colha os benefícios que se abrem com a chancela".

O Instituto Desenvolve Pecuária, também do Rio Grande do Sul, prometeu, igualmente em nota, "trabalhar junto aos produtores associados para conscientizá-los sobre a necessidade participação deles para a manutenção do status". "O Instituto Desenvolve Pecuária tem a consciência do papel fundamental do produtor neste processo, uma vez que ele é um dos elos mais importantes desta cadeia", cita a entidade. "Portanto, nos colocamos à disposição para colaborar com os órgãos oficiais para manter esta certificação que afeta diretamente a economia do Estado", destacou o vice-presidente, Paulo Costa Ebbesen.

Ele também listou as preocupações do Instituto, agora que o RS foi declarado zona livre de febre aftosa sem vacinação. Uma se refere à disponibilidade de recursos financeiros em caso de necessidade de indenização dos produtores devido à ocorrência de sinistro - ou seja, caso surja algum foco e seja necessário sacrificar animais como forma de contenção da doença. "Sabemos que existem estudos visando fazer o seguro do rebanho bovino gaúcho e entendemos ser esta a melhor alternativa. Por isso, o instituto se coloca à disposição para colaborar neste processo", afirma.

Outra questão é a do sistema de vigilância sanitária no Estado, com relação à fiscalização nos portos, aeroportos, rodovias e fronteiras. "Isso nos preocupa, uma vez que não temos certeza de quão efetivos são os recursos disponíveis tanto para a área operacional quanto para a vigilância das nossas fronteiras", observou.

Tang, da Gadolando, lembra que o gado leiteiro tem um ciclo diferente do de corte, já que os animais têm uma vida mais longa, ficando, portanto, mais sujeitos ao risco da aftosa. "Por isso, se tivermos um problema sanitário, poderemos perder uma genética de anos e vai todo o lucro cessante dentro de uma propriedade, pois temos coletas diárias de leite. Abatendo a nossa matriz não temos remuneração", salienta, acrescentando que será necessário um plano de indenização em caso de abate.

O Brasil não registra casos de febre aftosa desde 2016, e foi declarado livre da doença, com vacinação, pela OIE em 2018 - com exceção de Santa Catarina, que já era zona livre, sem vacinação. Alguns países importam carne bovina apenas de locais onde a doença não circula - portanto, quando uma área é declarada livre sem vacinação, os mercados desses países podem ser abertos. A meta do governo brasileiro é que todo o território do País seja considerado livre de febre aftosa sem vacinação até 2026. Atualmente, em torno de 70 países são reconhecidos como livres de febre aftosa.

"O reconhecimento da OIE significa confirmar o elevado padrão sanitário da nossa pecuária e abre diversas possibilidades para que o Ministério da Agricultura trabalhe pelo alcance de novos mercados para a carne bovina e suína, assim como pela ampliação dos tipos de produtos a serem exportados aos mercados que já temos acesso", afirmou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em evento pela manhã no qual o anúncio do reconhecimento da OIE foi feito.

Por Luis Filipe Santos, especial para a Agência Estado
Fonte: Broadcast Agro - http://tempuri.org/tempuri.html




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