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06/01/2021 - Soja

Soja: com déficit de oferta de ao menos 10 mi de t, mercado reserva boas oportunidades de negócios para o BR

Mercado é promissor no médio/longo prazo e deve estimular novos negócios mais à frente

"Este mês de janeiro deverá ser ainda truncado de negócios, ninguém vai querer vender quase nada", acredita o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting sobre o mercado da soja no Brasil neste início de ano. Embora o mercado e as cotações sigam firmes, 2021 começa com certa limitação para novas vendas, principalmente, por conta do avanço expressivo da comercialização da safra 2020/21 - na casa dos 60%, de acordo com a maior parte das análises - e das incertezas que ainda rondam as lavouras em boa parte das regiões produtoras do país. 

"O vendedor está querendo ver cotações entre R$ 170,00,m R$ 180,00 nos portos porque já viu isso em outubro, novembro, e como o mercado está agora entre R$ 154,00 e R$ 158,00, com chances de até R$ 160,00 para julho e agosto, faz com que o produtor agora espere. É um mercado de preços firmes, mas de poucos vendedores. A safra já está bem vendida, e esse movimento de vendas mais tímidas deve se estender também para o milho. É um mês de muita cotação e poucos negócios", diz o consultor. 

Na Bolsa de Chicago, os futuros da oleaginosa deram um salto nestes primeiros pregões do ano. Até o fechamento desta matéria, com a sessão ainda em andamento, o contrato janeiro acumulava uma alta desde o último dia 31 de dezembro de 3,88%, passando de US$ 13,14 para US$ 13,65. No março, o ganho é de 4,21%, com a referência passando de US$ 13,07 para US$ 13,62 por bushel. 

Mais do que isso, análises dão conta de que o mercado tem espaço para subir ainda mais, podendo, inclusive, superar os recordes registrados em 2012. Há uma estimativa da Agrinvest Commodities de uma quebra na safra sul-americana da ordem de 14 a 15 milhões de toneladas. Durante o pregão desta terça, as altas entre as posições mais negociadas chegaram a ultrapassar os 50 pontos e sinalizar sua busca pelos US$ 14,00 por bushel. 

No dólar, o quadro é semelhante. Ontem, a moeda americana fechou o primeiro pregão do ano com alta de mais de 1,5% - a maior em três semanas, fechando com R$ 5,27. Nesta terça-feira dá sequência aos ganhos e recupera o patamar dos R$ 5,30. 

Complementando o cenário ideal para a formação de bons preços há ainda os prêmios positivos. As primeiras posições de 2021 - janeiro a maio - têm valores que variam de 55 cents a US$ 1,00 por bushel sobre os valores praticados ne CBOT na pedida dos compradores. Já entre os compradores, os valores variam de US$ 1,20 a US$ 1,40 sobre Chicago. 

Dessa forma, o mercado sinaliza que boas oportunidades estão por vir - haja vistas que a relação entre a oferta e demanda mundiais está cada vez mais ajustada -, com tempo e espaço para que a comercialização do que ainda resta da nova safra brasileira aconteça de forma saudável, com boas margens para os sojicultores em todas as regiões produtoras. 

"O mercado está muito promissor no médio e longo prazos. No curto prazo vemos que o mercado ainda continua precificando oscilações climáticas na América do Sul e especula a qualidade das lavouras no Brasil e Argentina, principalmente. E a longo prazo ainda vemos um desequilíbrio muito grande entre oferta e demanda globais", explica Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios. 

Para a soja, esse desequilíbrio é estimado em cerca de 10 milhões de toneladas e para o milho, de 20 milhões. Ou seja, a demanda está 10 milhões de toneladas acima do que produziremos nessa safra 2020/21 entre todos os produtores mundiais. "E esse desequilíbrio tende a colocar preços mais altos tanto para soja, quanto para milho. Assim, o mercado é muito promissor e com viés de alta baseado  demanda. Independente se o Brasil tiver safra recorde ou não, a demanda está muito mais agressiva do que o aumento de produção deste ano safra", conclui Pereira. 

Ao lado do mercado promissor e da safra já bem vendida, o produtor brasileiro também se dedica à conclusão do desenvolvimento de suas lavouras. As condições de clima ainda preocupam em algumas regiões e a nova oferta brasileira deverá chegar, de forma significativa, com bons volumes, com atraso ao mercado. Assim, o cenário exige estratégia, planejamento e escalonamento das próximas ações de comercialização. 

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o presidente da Aprosoja MT, Fernando Cadore, explica que a safra do estado, que é o maior produtor do Brasil, já apresenta um atraso de até 20 dias que já reduz a média de produtividade da oleaginosa. "Tivemos um delay no plantio, um atraso consequentemente na colheita, e alguma perda, mas que ainda é difícil de precisar e quantificar neste momento", diz. 

Os trabalhos de colheita que acontecem neste momento no estado acontecem de forma apenas pontual, apenas em áreas onde o algodão será semeado para a segunda safra. 

No Paraná, de acordo com as últimas informações do Deral (Departamento de Economia Rural), as lavouras em condições boas subiram 1% na última semana, chegando a 79%. A leve melhora foi registrada devido a uma recuperação observada nos níveis de umidade do solo, mesmo com chuvas ainda não chegando adequadamente às áreas produtoras do estado. 

Fonte: Notícias Agrícolas - http://tempuri.org/tempuri.html




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