Notícias

21/10/2020 - Soja

Soja e milho no Brasil sofrerão com mudanças climáticas


A produção de soja e milho brasileira sofrerá os impactos do mudanças climáticas. As áreas favoráveis ao cultivo deverão migrar para as regiões sub-tropicais do Brasil, e a produtividade cairá, afirmou estudo publicado no jornal Science of the Total Environment.

As projeções de mudanças climáticas no Brasil incluem o aumento da temperatura média ao longo deste século. A frequência de dias muito quente, com o termômetro ultrapassando 34ºC, deverá aumentar, bem como a frequência, extensão e intensidade das secas.

O setor agrícola consistem em um dos principais setores econômicos brasileiros. De acordo com o estudo, a agricultura responde por quase 24% do produto interno bruto – PIB – nacional, além de quase 39% das exportações. Juntos, soja, milho e cana-de-açúcar ocupavam 84% da área agrícola do país em 2017.

A influência das mudanças climáticas não se restringem somente aos aspectos biofísicos. Elas trarão desdobramentos econômicos, tando do lado da oferta, afetando produtores em diversas regiões do mundo, quanto pelo lado de demanda, introduzindo novas tendências de consumo.

Combinando economia, clima e produção agrícola
O estudo utilizou um modelo computacional considerando a competição pelo uso da terra entre a agricultura, a silvicultura e a bioenergia. Os pesquisadores buscaram quantificar os impactos econômicos até 2050 em três cenários futuros, um sem e outros dois com mudanças climáticas – um deles prevendo baixas e outro altas emissões de gases de efeito estufa.

As projeções de safras futuras de milho, soja e cana-de-açúcar se basearam em modelos de cultura. Também se avaliou a interferência sobre a pecuária bovina. Projeções dos cenários de mudanças do clima no Brasil foram obtidas a partir de um conjunto de simulações de cinco modelos climáticos.

Migração para o sul e perda de produtividade
Os resultados apontaram para o crescimento na competição interna por terra entre diferentes culturas e produtos. A competição externa também se acirraria. No caso da soja e do milho, o cultivo se deslocaria das áreas atuais para as regiões subtropicais ou quase subtropicais, nos biomas do Cerrado e da Mata Atlântica.

O deslocamento viria acompanhado por uma grande perda de produtividade. Em 2050, as perdas projetadas para a soja variaram entre cerca de 6% e 37%, em comparação com o cenário sem mudanças climáticas. A região mais afetada seria o Matopiba, cuja produção poderia ficar quatro vezes menor em 2050 no cenário de altas emissões.

No caso do milho, as perdas ficariam entre aproximadamente 13% e 29%. As projeções do milho, no entanto, previram que todo o cultivo ocorreria em sistema associado à soja. Alterações nas estações do ano que interfiram no consorciamento soja-milho implicariam em perdas maiores.

A pecuária declinaria em partes da Amazônia, em especial no chamado arco do desmatamento. A atividade migraria para o leste do Cerrado e para o Matopiba. A cana-de-açúcar substituiria a soja e o milho ao longo da fronteira do Cerrado com a Mata Atlântica, no centro e sudeste do Brasil.

Não foi possível estimar com precisão ganhos ou perdas de produtividade da pecuária e da cana-de-açúcar. Os resultados de ambos apresentaram grandes incertezas.

Evitar ou se adaptar aos impactos das mudanças climáticas exigirá um rápido crescimento da produtividade, ressaltou o estudo. E para se tornar mais resiliente, a agricultura brasileira precisa igualmente adotar em larga escala larga escala práticas ambientalmente sustentáveis.

Mais informações: http://tempuri.org/tempuri.html
Fonte: Ciência e clima - http://tempuri.org/tempuri.html




Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.