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19/01/2021 - Soja

Soja e milho têm fortes altas em Chicago e analistas alertam para correções


Em franca valorização desde o final de 2020, os preços da soja e do milho iniciaram 2021 batendo marcas históricas na bolsa de Chicago (EUA). No caso da oleaginosa, a cotação atingiu o maior patamar desde 2014, cotada acima de US$ 14 o bushel, enquanto o milho ultrapassou a marca dos US$ 5 o bushel. Impulsionado pela suspensão das exportações argentinas, pelo atraso no plantio da safra 2020/2021 no Brasil e, mais recentemente, pelas previsões de oferta e demanda nos EUA, o mercado futuro americano tem atraído a atenção de fundos especulativos e já apresenta sinais de “sobrecompra”.

“Do lado fundamentalista, não tem razão das cotações estarem onde estão em virtude da quantidade de soja que existe no mundo. A gente observa esse movimento como um apetite especulativo muito forte por commodities, desatrelado a questão fundamental. E toda vez que acontece algo fundamental, isso adiciona um combustível a mais para o apetite especulativo” explica o sócio diretor da MD Commodities, Ismael Menezes.

Segundo o último relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC), os gestores de fundos mantinham um saldo líquido de 166,5 mil posições compradas no mercado de soja e de 374,7 mil no mercado de milho em Chicago, o maior volume desde 2017. “Existem, sim, fundamentos para alta e o mercado deve continuar sustentado ao longo de 2021. Não tem muito como voltar para os patamares pré-2020. Mas, no curto prazo, dentro de 2021, existe espaço para algumas correções negativas”, alerta o analista da Safras & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez. 

Ele se refere aos baixos estoques projetados ao final da safra 2020/2021 nos EUA projetado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) na semana passada e ao risco de quebra de produção no Brasil e na Argentina. “O mercado também está tentando antecipar uma quebra por La Niña na América do Sul - o que, ao meu ver, não existe ainda. Pelo menos não do tamanho que o mercado está apontando”, alerta.

Para Daniele Siqueira, da AGRural, ainda é cedo para falar em quebra de safra no Brasil. A consultoria estima uma produção de 131,7 milhões de toneladas de soja no país este ano, volume ainda recorde quando consideradas as safras anteriores. “Como foi plantada com atraso, precisamos que continue chovendo pelo menos até início de fevereiro. Mas está tudo indo bem, as previsões são boas e a safra do Brasil está se encaminhando para ser uma safra boa. Pode quebrar ainda? Pode. Mas até o momento não dá pra afirmar nada nesse sentido”, observa a analista.

Ela ressalta que o alongamento da janela de exportação do Brasil no ano passado reduziu os estoques do país, o que contribuiu para a alta das cotações a partir do segundo semestre de 2020. “Isso começou a fazer Chicago subir porque, sem soja no Brasil, os EUA continuam vendendo volumes em janeiro que talvez não fossem vendidos caso o Brasil tivesse uma safra normal, entrando no mercado já”, destaca Daniele.

Diante do aumento das exportações de soja e milho dos EUA para a China, o USDA cortou sua previsão de estoques finais da safra 2020/2021 de 4,78 para 3,8 milhões de toneladas no país – o quinto menor em 32 anos. No caso do milho, o corte foi de quase 4 milhões de toneladas, para 39,2 milhões de toneladas.

“Em linhas gerais, o foco estava na safra americana. Agora, a gente começa a olhar as projeções para a safra 2021/2022, porque com toda essa alta de preços pode ser que haja incentivo para o produtor norte-americano plantar uma área maior de soja nos EUA”, observa Menezes, da MD Commodities.

Além de um possível acréscimo de até 3 milhões de hectares na área plantada dos EUA, o analista avalia que a confirmação de uma safra acima de 130 milhões de toneladas no Brasil, o bom andamento, início da colheita na Argentina e o deslocamento da demanda chinesa para países da América do Sul podem pressionar contribuir para um ajuste de posições dos agentes financeiros nos próximos meses, disparando uma correção nas cotações em bolsa.

“Isso é algo para ficar de olho. De qualquer forma, o apetite especulativo no mercado de commodities está muito grande e qualquer número que venha trazer um pouco mais de nervosismo ao mercado vai ter um impacto bastante grande nas cotações”, explica Menezes.

Por Cleyton Vilarino
Fonte: Globo Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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