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15/12/2020 - Outros

Tecnologia agrícola brasileira pode inibir imigração para Europa, diz ex-ministro


A experiência brasileira adquirida com a agricultura tropical poderia livrar a Europa da intensa onda de imigração em seu continente.

As tecnologias desenvolvidas para o aproveitamento de solos mais pobres, como o cerrado, incentivariam a agricultura em países da África, da Ásia e de outras partes do mundo.

A avaliação é do ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, um dos responsáveis, já na década de 1970, por programas que permitiram um avanço da agricultura para regiões brasileiras até então não exploradas.

Os europeus gastam muito dinheiro montando barreiras para impedir a entrada de imigrantes e desenvolvendo programas para frear ações terroristas no continente.

Se aplicassem esses recursos na manutenção dessa população em seus locais de origem, dando possibilidades a um desenvolvimento social local, evitariam esse fluxo de imigrantes, afirma Paolinelli.

O Brasil tem a tecnologia, mas não tem recursos para auxiliar nesse salto econômico de países com características de solo semelhante ao brasileiro. Caberia a organismos internacionais e a países desenvolvidos uma ação desse tipo.

A aplicação da tecnologia tropical de produção no Brasil já provou ser eficiente. Regiões com áreas até então vazias e inaproveitadas se transformaram em cidades bastante desenvolvidas no país, elevando a renda e o nível de vida da população local.

Uma ação nesse tipo em países com condições semelhantes às do Brasil fixaria a população em suas regiões, dando condições a uma autonomia alimentar e à geração de excessos para exportações, tanto de alimentos como de energias renováveis, afirma ele.

Nas palavras do ex-ministro, países da Europa vivem dissabores e tristezas que poderiam ser evitados com a melhora de vida da população menos favorecida em outros países.

“Entendo que essa possibilidade de tecnologia tropical terá significado importante para o mundo. Preocupam os desajustes sociais que ocorrem em regiões pobres tropicais. É preciso levar para eles conhecimento suficiente para serem competitivos”, diz.

Paolinelli destaca que isso é perfeitamente possível, uma vez que, após o desenvolvimento no Brasil, outros países, como Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai, estão obtendo resultados expressivos na agricultura com a utilização de tecnologia brasileira.

O caminho brasileiro para chegar a esse patamar de desenvolvimento de tecnologia tropical foi longo, mas ainda não está todo pavimentado. Na década de 1970, foram criados programas especiais para a agricultura com lastro em desenvolvimento de pesquisa e de tecnologias novas. Era um sistema desburocratizado, com empresas especializadas em tecnologias para dar suporte ao sistema.

A partir de 1986, porém, com o agravamento da crise econômica e a montagem dos planos econômicos, a pesquisa foi deixada de lado, e os recursos da Embrapa, responsável por esses avanços na agricultura, escassearam.

Para o ex-ministro, a agricultura tropical trouxe vantagens comparativas para o país, mas se faz necessário um avanço para a bioeconomia.

Se houver inteligência e estratégias adequadas, o sistema biológico vai melhorar em muito a capacidade de competição do país em alimentação e em energias renováveis.

O país poderá virar a página e deixar de ser dependente de produtos químicos. “Pode ser arrogância, mas temos nossas fábricas na tropicalidade das nossas fazendas, o que nos dá a possibilidade de desenvolver produtos que nos permitem o cultivo nos 12 meses do ano.”

Segundo o ex-ministro, o país está próximo dessa independência e produzirá alimentos cada vez mais naturais, saudáveis e valorizados, atendendo à sociedade mais rica. Por sociedade mais rica, ele entende a parte da população que gasta abaixo de 10% de sua renda com alimentação e exige produtos diferenciados.

Paolinelli, em entrevista a jornalistas de vários países da América Latina e da Europa, promovida pelo IICA (Instituto Interamericanos de Cooperação para a Agricultura), disse que a ciência e a pesquisa são essenciais para o desenvolvimento agrícola.

Afirmou que o IICA está no nascedouro da Embrapa e o órgão teve participação importante nos primórdios da evolução agrícola brasileira, tanto com consultores especializados como com informações.

Para o ex-ministro, o IICA tem condições de ajudar o desenvolvimento dos países da América Latina, e a Embrapa está aberta para atender as demandas internacionais.

O Brasil venceu a primeira etapa de transformar as terras degradadas do cerrado em áreas férteis. Da década de 1970 ao ano 2020, porém, houve mudanças profundas nos biomas brasileiros.

Agora, com ciência, tecnologia e pesquisas objetivas é preciso definir os limites do uso dos biomas, sem degradar os recursos naturais. Além disso, utilizar as formas de manejo que mantenham esses recursos preservados.

Por Mauro Zafalon / Vaivém das Commodities
Fonte: Folhas de S.Paulo - http://tempuri.org/tempuri.html




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