Notícias

12/07/2021 - Outros

Terras atingem maior preço em 20 anos


Fazia dez anos que o produtor e agrônomo Guilherme Pinezzi Honório, dono da agropecuária Agro Oeste, da região do Vale do Araguaia, em Mato Grosso, não comprava terras. Com 11,3 mil hectares com soja, milho, gergelim e pastagens, decidiu expandir o negócio em março. Adquiriu duas áreas de pastagens: com 750 hectares e 2,5 mil hectares em Serra Nova Dourada e São Félix do Araguaia (MT).
Honório foi às compras no momento em que as terras atingiram a maior cotação em 20 anos. A alta foi de quase 18% nos preços médios em 12 meses até abril, segundo a consultoria IHS Markit, que acompanha o mercado de terras desde 2001.

"Paguei 25% a mais do que pretendia, mas achei que seria o momento de comprar para não ter de pagar ainda mais caro no futuro", diz Honório. Ele já tinha planos de expandir a área e diz que não foi levado pelo efeito "manada". O produtor considera que o momento permitiu a decisão porque os seus produtos - soja, milho e bovinos - estão muito valorizados. Além disso, com o juro básico (a Selic) ainda abaixo de um dígito, ele conseguiu obter crédito para custeio com despesa financeira menor. Assim, pode usar os recursos próprios para comprar terras.

Juro baixo, demanda crescente por grãos e carnes e dólar em alta criaram um cenário perfeito para a forte valorização das terras. Leydiane Brito, responsável pela pesquisa, observa que o mercado de terras estava estagnado desde 2014. Com o boom das commodities em 2020 e avanços na infraestrutura, como a pavimentação da BR163, no Centro-Oeste, os negócios voltaram a acontecer e o preço da terra subiu.

"Todas as terras aumentaram de preço", diz o consultor André Pessoa, sócio da Agroconsult. Mas ele observa que restrições ambientais que dificultam a abertura de áreas provocaram valorização maior em regiões maduras de produção.

Segundo a pesquisa, a maior alta ocorreu nas terras para grãos, as mais caras, que aumentaram quase 30% em 12 meses até abril na média do País. Na sequência, estão as áreas para café e florestas plantadas, cujos preços tiveram elevação de 14% no período, seguidas pelas pastagens (11,5%) e cana (10%). Com agronegócio consolidado, o Paraná é o Estado com o hectare mais caro para grãos, valendo, em média, quase R$ 50 mil. Em Cascavel (PR), o valor varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil.

Rondonópolis e outras cidades de Mato Grosso, como Tangará da Serra e Sinop, lideram o ranking de alta, com avanços na casa de 60% a 70% em 12 meses nas terras para grãos. Mato Grosso também aparece na dianteira nas pastagens, com alta de 81% no valor do hectare em 12 meses. De 30 municípios com maior valorização de terras para grãos e pastagem, Mato Grosso lidera com mais da metade das cidades.

"O que a gente tem observado mais são produtores investindo em áreas de pastagens degradadas para transformá-las em lavoura", afirma Leydiane.

Mais informações AQUI

Por Márcia De Chiara/O Estado de S.Paulo
Fonte: UOL




Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.